Arquivo da categoria: Endocrinologia Feminina

A endocrinologia femina engloba várias fases da vida da mulher. Nessa categoria, há publicações sobre processos normais e anormais do ciclo menstrual, da gravidez e também as doenças endocrinológicas mais comuns no sexo feminino.

Transtornos alimentares na endocrinologia

Os transtornos alimentares se caracterizam por atitudes distorcidas em relação ao peso, forma do corpo e ao ato de comer. Esses transtornos vêm aumentando nos últimos 50 anos e o ambiente relacionado à comida tem sido implicado.

São condições que cursam com alterações na alimentação e/ou nos comportamentos a ela relacionados e que se manifestam com intensidade e duração suficientes para causar impacto na saúde física ou no funcionamento biopsicossocial.

  • Em comportamento que prejudiquem a absorção adequada de nutrientes;
  • Não são consequência de uma doença física;
  • Não representam um padrão alimentar culturalmente sancionado ou são apropriados para o estágio de desenvolvimento do indivíduo.

A anorexia nervosa precisa de uma equipe multiprofissional no manejo, incluindo o endocrinologista para contornar as complicações hormonais e metabólicas. Na endocrinologia, nos deparamos mais frequentemente com a bulimia ou o transtorno de compulsão alimentar, já que muitos pacientes vem a nós por conta do excesso de peso.

Classificação dos transtornos alimentares

São reconhecidos seis principais tipos de transtorno alimentar pelas atuais classificações das doenças, a Classificação Internacional de Problemas Relacionados à Saúde (CID 11) e DMS 5 – Manual diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. São elas:

Transtorno alimentar – TA

  1. Anorexia nervosa (AN)
  2. Bulimia nervosa (BN)
  3. Compulsão alimentar (TCA)
  4. Transtorno alimentar restritivo-evitativo (TARE)
  5. Pica ou alotriofagia
  6. Transtorno de regurgitação-ruminação

Existem ainda os transtornos alimentares não especificados.

Embora não reconhecido oficialmente nas classificações oficiais, não poderia deixar de falar do que conhecemos como padrão alimentar “beliscador”, que é caracterizado por comer pequenas porções ao longo do dia, de forma não planejada, relacionada ao comer emocional e com algum nível de sensação de perda de controle. Em inglês, esse padrão é conhecido por grazing. Há ainda o padrão hiperfágico prandial, que é aquele “bom de garfo”: se alimenta em excesso nos horários de refeição, mas não belisca entre elas.

Os beliscadores podem ter episódios de compulsão alimentar. O que se diferencia o beliscar da compulsão alimentar é que nessa última há uma grande quantidade de calorias consumidas em um curto espaço de tempo e sempre há sensação da perda de controle. Podemos dizer que a quantidade de calorias no padrão beliscador é diluída ao longo do dia e nem sempre há sensação de perda de controle. Esse comportamento é associado à obesidade e particularmente mantido em pacientes que o tinham antes de cirurgia bariátrica.

Existe ainda a Síndrome do Comer Noturno, quando o paciente come muito mais à noite que durante o dia, depois do jantar. Ele pode acordar na madrugada para “atacar a geladeira” e tem a sensação de que não conseguirá dormir sem se alimentar. É como um episódio de compulsão alimentar, mas exclusivo do período noturno.

Nada impede que o paciente tenha mais de um padrão alimentar dos que foram descritos.

A seguir, algumas características dos principais transtornos alimentares oficialmente reconhecidos pelas classificações de saúde mental.

Anorexia nervosa

É um transtorno mental grave, caracterizado por medo intenso de ganhar peso ou transtorno de imagem corporal, ou ambos, que motiva a restrição alimentar grave e outras atitudes para perda de peso, como atividade física em excesso, uso de laxantes e diuréticos.

  • Baixo peso
  • Medo de ganhar peso
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Restrição alimentar e/ou comportamento para reduzir o peso (restrição/purgação)

A preocupação com o peso extrema que leva ao baixo peso distingue a anorexia nervosa da bulimia.

Bulimia nervosa

A bulimia pode ocorrer com peso normal ou elevado. É caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de grandes quantidades de calorias em curto espaço de tempo com sensação de perda de controle) e atitudes compensatórias para prevenir ganho de peso. Em inglês, o termo é conhecido como binge eating.

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar (sensação de perda do controle)
  • ComportamentoS compensatórioS inadequados e recorrentes, tais como uso de laxantes, excesso de exercícios físicos, indução de vômitos, omissão de doses de insulina (diabulimia)
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal

A bulimia nervosa difere da compulsão alimentar pela presença na primeira dos mecanismos compensatórios.

Transtorno de compulsão alimentar (TCA)

O TCA se caracteriza por episódios recorrentes e angustiantes de compulsão alimentar, com menos comportamentos compensatórios do que na bulimia nervosa. De 30 a 34% dos pacientes com transtorno de compulsão alimentar ou bulimia têm obesidade e as alterações metabólicas relacionados. Principais características do TCA:

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar
  • Indicadores de comportamento de perda de controle
  • Sofrimento e angústia marcantes
  • Ausência de mecanismos compensatórios

O episódio de compulsão alimentar é diferente do padrão beliscador. Na compulsão alimentar, há uma ingestão exagerada de calorias em um pequeno intervalo de tempo e não esperada para a ocasião ou contexto, enquanto o padrão beliscador as calorias consumidas por vez são menores, mas distribuída ao longo do dia.

TARE – Transtorno alimentar restritivo-evitativo

No transtorno de ingestão alimentar restritivo-evitativo os sintomas principais são evitar ou restringir alimentos (em relação ao volume ou variedade), juntamente com um ou mais dos seguintes: perda de peso ou crescimento deficiente, deficiências nutricionais, dependência de alimentação por sonda ou suplementos nutricionais para ingestão suficiente e comprometimento psicossocial. Os sintomas podem surgir no contexto de uma ausência global de interesse pela comida e por comer, seletividade alimentar baseada na sensibilidade sensorial e medo das consequências negativas da alimentação relacionadas a experiências aversivas, como engasgo ou vômito. É um paciente com paladar exigente. Em inglês, o termo usado é picky eating.

  • Presença de comportamento alimentar de restrição ou evitação graves
  • Ausência de preocupação com imagem corporal
  • Não decorre da indisponibilidade de alimentos ou de uma prática culturalmente aceita
  • Restrição alimentar baseada em pouco interesse em comer
  • Evitação baseada em aversão ou medo de comer (fobia levando à evitação de comida)
  • Evitação baseada em aspectos sensoriais (comedores seletivos)

É um diagnóstico de exclusão e pode ser confundido com anorexia nervosa.

Pica (alotriofagia)

Envolve a ingestão de substâncias não nutritivas (ex. cimento, terra, madeira) por um período igual ou superior a um mês. Os principais gatilhos são o gosto da substância, o tédio, a curiosidade ou a tensão psicológica e deficiências nutricionais. É muito lembrada a associação de

O termo “pica” foi extraído do latim para a ave chamada pega, que ingere o que vier pela frente.

Transtorno de ruminação

O distúrbio de ruminação envolve regurgitação de alimentos durante ou após a alimentação, na ausência de náusea, náusea involuntária ou repulsa. Parece haver prazer ou alívio da ansiedade com esse comportamento. Os comportamentos causam sentimento de vergonha, por isso, os pacientes acometidos os mantêm em segredo.

Complicações dos transtornos alimentares

Complicações da Anorexia nervosa

Todos os sistemas do corpo são afetados pela inanição e os danos se acumulam ao longo do tempo. Se há comportamentos de purgação, os riscos das complicações aumentam ainda mais. As complicações endocrinológicas e metabólicas são muitas, e incluem:  

Da parte cardiovascular pode haver queda da pressão arterial, arritmias, cardiopatias. Há ainda complicações dermatológicas, intestinais, hematológicas (exemplo – anemia), hepáticas, neurológicas e da saúde reprodutiva.

Complicações da bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar

Podem levar complicações semelhantes da anorexia, mas menos intensas. Relacionadas à purgação temos as complicações cardiovasculares e distúrbios hidroeletrolíticos do potássio, sódio e cloro por conta dos vômitos e diarreia induzidos. Pode haver também complicações relacionadas ao trato digestório, hematológico, renal e bucal.

Se o paciente apresenta obesidade, pode haver complicações relacionadas ao excesso de peso, das quais já comentamos aqui em outros posts na categoria de obesidade.

Tratamento dos transtornos alimentares

O tratamento dos transtornos alimentares tem como base a psicoterapia. Como há comorbidades psiquiátricas associadas de forma frequente, muitos pacientes precisarão de acompanhamento psiquiátrico associado. Profissionais da área de nutrição podem ajudar no tratamento das deficiências e excessos nutricionais.

O endocrinologista poderá avaliar as alterações hormonais e metabólicas decorrente dos transtornos alimentares e definir se há necessidade de tratamento.

O tratamento da anorexia é multiprofissional, inclui profissionais de saúde mental. Pode haver necessidade de internações. Medicações psicotrópicas que levem ao ganho de peso são bem-vindas nessa situação.

Para contornar os problemas hormonais, pode haver necessidade de reposição de hormônios, principalmente hormônios sexuais (estrógenos) para mimetizar a puberdade e proteger a saúde óssea.

Para os transtornos alimentares que cursam com o ganho de peso, medicações para controle da compulsão alimentar podem ser necessárias. No Brasil, a lisdexanfetamina e a associação de bupropiona mais naltrexona são aprovados para uso de transtorno de compulsão alimentar.

Adicionalmente, se há obesidade ou síndrome metabólica, outras medicações antiobesidade e para as complicações metabólicas do excesso de peso podem ser associadas, como a sibutramina, orlistate e os análogos do GLP1, considerando as interações com outras medicações que o paciente utilize o padrão alimentar do paciente ou fenótipo do paciente (dá uma olhada no post do insta que está abaixo).

Para os outros transtornos alimentares, incluindo restritivo-evitativo, pica e ruminação, é recomendado o tratamento do transtorno que está por traz dos comportamentos alimentares alterados. Uma boa avaliação clínica do paciente é fundamental. Frequentemente, a família deve ser envolvida no tratamento.

Considerações finais

Os transtornos alimentares são comuns e vêm aumentando com o passar do tempo. Existem critérios para o diagnóstico bem definidos, mas podem ser que os pacientes não preencham todos os critérios para serem enquadrados em um ou outro transtorno, mas isso não significa que eles não mereçam tratamento. O desafio no diagnóstico é realmente o questionamento profissional dos hábitos alimentares, da purgação, da imagem corporal etc., na entrevista médica.

O endocrinologista pode prescrever medicações direcionadas à compulsão alimentar, medicamentos antiobesidade, repor hormônios que estão deficientes ou ainda contornar as alterações metabólicas decorrentes do excesso de peso.

O tratamento vai ser direcionado à causa-base do problema e profissionais de saúde mental são obrigatórios no cuidado dos transtornos alimentares, que geralmente coexistem com outros transtornos psicológicos ou psiquiátricos, além de outros profissionais de saúde e especialidades médicas.

Referências

Treasure J, Duarte TA, Schmidt U. Eating disorders. Lancet. 2020 Mar 14;395(10227):899-911. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30059-3. PMID: 32171414.

Transtornos Alimentares: Diagnóstico e Manejo. Autores – José Carlos Appolinario, Maria Angélica Nunes e Táki Athanássios Cordás. 2022.

Heriseanu AI, Hay P, Corbit L, Touyz S. Grazing in adults with obesity and eating disorders: A systematic review of associated clinical features and meta-analysis of prevalence. Clin Psychol Rev. 2017 Dec;58:16-32. doi: 10.1016/j.cpr.2017.09.004. Epub 2017 Sep 15. PMID: 28988855.

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Amenorreia hipotalâmica funcional
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Publicação do Instagram sobre Transtornos alimentares

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Alterações hormonais causadas pelos opioides

Eu espero que aqui não chegue a tal crise pelo abuso de opioides que acometeu a terra do Tio Sam. O uso de opioide aumentou nas últimas décadas em vários países. Apesar do seu uso ter reduzido nos EUA no começo da última década, a mortalidade cresceu muito naquele país. Aqui no Brasil, de 2009 a 2015, o consumo de opioides cresceu quase cinco vezes!! (1).

Todo esse alarme foi antes do início pandemia de covid-19, mas acho que as coisas não devem ter melhorado muito. De certa forma, é bom a gente saber que os opioides ou opiáceos mexem com os hormônios também.

O primeiro registro do uso de ópio foi datado cerca de 4.000 anos antes da era cristã. Ele é obtido a partir da Papaver somniferum, um tipo de papoula. A morfina deu origem a vários compostos, os quais veremos a seguir.

Tipo de opioidesubstância
Natural  Morfina
Codeína  
Semi-sintético  Diamorina (heroina)
Buprenorfina
Dihidrocodeína
Hidromorfona
Oxicodona  
Sintéticos  Alfentanil
Fentanil
Metadona
Pentazocina
Petidina (meperidina)
Tramadol  
Tabela 1. Tipos de opioides mais comumente prescritos

Na medicina, os opioides foram usados inicialmente como analgésicos. Outros tipos de opioides, como a codeína, morfina e metadona, são utilizados para controle da tosse em pacientes com câncer de pulmão. Já a loperamida e a codeína são usadas primariamente para controle da diarreia e síndrome do cólon irritável. Finalmente, a heroína é utilizada como droga recreativa devido aos seus efeitos estimulantes. Certamente, você já ouviu falar de algum deles ou até tomou algum para outro motivo que não tratamento de dor. 

Os opioides causam distúrbios em três sistemas na endocrinologia:

  • Hipotálamo-hipófise-gonadal (ovários e testículos)
  • Hipotálamo-hipófise-adrenal
  • Prolactina

Em todos os pacientes que estejam em uso de corticoide, devemos questionar sobre sintomas nessas três esferas (2).

Figura 1. Investigação inicial do paciente em uso de opiáceos

Eixo hipotálamo-hipotálamo-gônadas

A deficiência dos hormônios sexuais, também chamada de hipogonadismo, é talvez o efeito mais conhecido dos opioides sobre o sistema endócrino.

Muitos hormônios são liberados de forma cíclica em pulsos. O hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH) é produzido no hipotálamo e estimula a liberação de LH (hormônio luteinizante) e em menor grau o FSH (hormônio folículo estimulante). Essas gonadotrofinas estimulam a produção de estrógeno e testosterona, respectivamente, pelos ovários ou testículos. Pode ser que os opioides tenham efeitos diretos sobre os testículos.

O uso a longo prazo (pelo menos um mês) tem efeitos na redução da testosterona em homens.

Um estudo mostrou em mulheres de 18 a 55 anos, o uso de opioides por um tempo maior que três meses foi associado a risco maior de parada da menstruação (amenorreia) e menopausa. Há de se considerar que os pacientes com dor crônica, a presença de outras doenças e medicações e a idade do paciente pode contribuir para a irregularidade menstrual.

Como um ciclo vicioso, as várias consequências do hipogonadismo, incluindo disfunção erétil, impotência, redução da massa muscular em homens; redução dos ciclos menstruais (oligomenorreia) ou cessação dos ciclos (amenorreia) em mulheres; e redução da libido, infertilidade, perda de massa óssea e depressão em ambos os sexos, também podem contribuir para o controle inadequado da dor.

O tratamento para essa complicação, tanto em homens como mulheres, é descontinuar ou reduzir a dose de opiáceos. Se isso não for possível, considerar a reposição dos hormônios sexuais.

Figura 2. Manejo do hipogonadismo hipogonadotrófico secundário ao uso de opioides

Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal

Sobre as adrenais, os efeitos dos opioides são menos claros. Essa adrenal é sempre misteriosa!

Os opioides inibem o hormônio hipotalâmico liberador da corticotrofina (CRH) que estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e, por sua vez, o cortisol pela adrenal. Parece que também há um efeito direto do opioide sobre a própria adrenal.

O uso por curto período ou prolongadamente podem inibir o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Para o diagnóstico desse tipo de insuficiência adrenal secundária pode ser necessário o uso de testes de estímulo como o da cortrosina e de tolerância a insulina.
Como sempre, a interpretação dos níveis de cortisol deve ser feita considerando se a pessoa está também em uso de corticoides.

A redução da dose ou suspenção do opioide melhora ou restaura a função desse eixo.

Dúvidas existem se a reposição de corticoide de forma rotineira deve ser feita. Após a suspensão da medicação, a recuperação da adrenal deve ser avaliada com dosagens de cortisol no sangue no período da manhã de forma periódica.

Figura 3. Manejo da insuficiência adrenal causada por opioide

Prolactina

Os opioides estimulam a liberação da prolactina provavelmente por inibição da dopamina. O aumento da prolactina, por sua vez, pode piorar o quadro de hipogonadismo.

Figura 4. Ação dos opioides sobre o hipotálamo e a hipófise, resultando no aumento da prolactina e redução dos gonadotrofinas. Modificado de Wehbeh e col (3)

A redução, descontinuação ou troca do opioide são estratégias sugeridas para redução da prolactina.

Para saber mais sobre a prolactina, tem várias publicações aqui no blog.

Figura 5. Tratamento da hiperprolactinemia induzida por opioides

Metabolismo ósseo

Os prováveis efeitos negativos dos opioides sobre a densidade mineral óssea são pela ação indireta, por conta do hipogonadismo, e diretamente pelo efeito na remodelação óssea. Essas medicações são associadas a maior risco de fratura também por conta dos seus efeitos sedativos que predispõem a quedas.

Além da avaliação hormonal dos eixos anteriormente mencionados, a avaliação do paciente em uso crônico de opioides deve incluir o exame de densitometria óssea.

Considerações finais

Os efeitos dos opioides são mais bem documentados sobre a redução dos hormônios sexuais (hipogonadismo). A insuficiência adrenal também foi documentada, tanto em uso de curto prazo e longo prazo.  Os efeitos sobre os ossos não devem ser esquecidos.

O aumento da prolactina com o uso de opioide é mais bem estabelecido, mas não há dados concretos sobre os outros eixos em que a hipófise está envolvida, como o da tireoide, hormônio do crescimento e ocitocina.

Agora, imagina se Dr. House fosse paciente! Certamente, ele teria que fazer uma avaliação hormonal e óssea. Brincadeiras à parte, o uso de opioide deve ser muito, mas muito criterioso por conta dos efeitos no sistema endócrino e muitos outros mais.  

Referências

  1. Krawczyk N, Greene MC, Zorzanelli R, Bastos FI. Rising Trends of Prescription Opioid Sales in Contemporary Brazil, 2009-2015. Am J Public Health. 2018 May;108(5):666-668. doi: 10.2105/AJPH.2018.304341. Epub 2018 Mar 22. PMID: 29565665; PMCID: PMC5888056.
  • Fountas A, Van Uum S, Karavitaki N. Opioid-induced endocrinopathies. Lancet Diabetes Endocrinol. 2020 Jan;8(1):68-80. doi: 10.1016/S2213-8587(19)30254-2. Epub 2019 Oct 14. PMID: 31624023.
  • Wehbeh L, Dobs AS. Opioids and the Hypothalamic-Pituitary-Gonadal (HPG) Axis. J Clin Endocrinol Metab. 2020 Sep 1;105(9):dgaa417. doi: 10.1210/clinem/dgaa417. PMID: 32770254.

Posts relacionados

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Perimenopausa: sinais, sintomas e tratamento

O que é perimenopausa?

A perimenopausa ou transição menopáusica é a fase que encontramos as mudanças da fase reprodutiva para a não-reprodutiva da mulher ou menopausa. Acontece com toda mulher que tenha vivido o suficiente para isso. Para umas, acontece mais cedo e para outras, mais tarde. Essa fase também é abrangida ao que chamamos no Brasil de climatério, embora esse termo esteja ficando em desuso. É um período variável antes e depois da última menstruação. É um período difícil para algumas mulheres, e para outras nem tanto.

Esse texto é baseado em um artigo de revisão do ano passado, publicado no jornal da Sociedade Americana de Endocrinologia, cuja referência está no final do post.  

Didaticamente, a perimenopausa é dividida em duas fases, que inicialmente é relacionada apenas ao padrão do ciclo menstrual, mas parece ter correlações hormonais.

Nós, mulheres, nascemos com uma quantidade limitada de folículos ovarianos, e por isso, a menstruação finaliza em uma época da vida.

Os folículos são os primórdios dos óvulos que serão liberados em um período aproximado de um mês. Alguns folículos não se desenvolvem e atrofiam. O que se desenvolve a cada mês, produz hormônios e libera o óvulo a cada ciclo menstrual.

A menopausa é o estágio final da vida útil do ovário, quando há o esgotamento de toda reserva de folículos presentes ao nascimento.  

Ciclo menstrual normal

Relembrando um pouco a fisiologia do ciclo menstrual, temos a fase folicular, em que alguns folículos primordiais são recrutados e um deles se torna dominante. O folículo dominante produz hormônios e libera o óvulo no período de ovulação. O período que se segue à ovulação é a fase lútea, caracterizada pela formação do corpo lúteo que produz progesterona para assegurar a gestação, se houver fecundação. Os detalhes dos hormônios da gestação está em outro post bem legal.

Figura 1. anatomia ovariana. As células da granulosa antes da ovulação produzem os estrógenos. O corpo lúteo é formado pelas células da granulosa e teca após a ovulação e produzem a progesterona.

Figura 2. Ciclo menstrual normal e sua correspondência com a produção hormonal por questões didáticas é representado em 28 dias.

Fases da transição menopáusica

A fase de transição mais precoce é caracterizada por uma perturbação mínima no ciclo, com as mulheres tendo ao menos uma menstruação nos últimos 3 meses. Durante essa época, vários mecanismos compensatórios, como o aumento do hormônio hipofisário FSH (hormônio folículo-estimulante) em um esforço para recrutar os folículos ovarianos remanescentes. Podemos fazer uma análise dessa fase com o hipotireoidismo subclínico, em que há um aumento do TSH e manutenção dos níveis de hormônios tireoidianos normais.

Com o tempo, a mulher chega à fase tardia da perimenopausa, em que há deficiência de estrógeno e falência ovariana, a qual não pode mais ser mais compensada pelo aumento do FSH. Nessa segunda fase, os sintomas, que já poderiam estar presentes na fase precoce, se acentuam.

Antes da transição menopáusica, há a fase reprodutiva tardia e depois da transição, a fase de pós-menopausa precoce. Considerando o estágio zero quando os ciclos menstruais cessam, teríamos:

  • -3 : fase reprodutiva tardia
  • -2 : perimenopausa precoce
  • -1 : perimenopausa tardia
  •  0 : fim dos ciclos menstruais
  • +1: pós-menopausa precoce (climatério)
Figura 3. Estágios reprodutivos ao longo da transição menopausica, com base nos critérios do “stages of reproductive aging workshop + 10”  (STRAW +10).

Fase reprodutiva tardia

O declínio da reserva ovariana começa antes das mudanças no ciclo menstrual. O hormônio antimulleriano (HAM) produzido pelas células da granulosa dos folículos menores, antes de um deles se tornar dominante, reduzem nesse estágio comparado com o pico da fase reprodutiva. O hormônio antimulleriano atinge seu pico aos 25 anos e vai reduzindo progressivamente durante a vida reprodutiva. Esse marcador é muito utilizado na medicina reprodutiva para avaliar a reserva ovariana, juntamente com a inibina B e a contagem de folículos ao ultrassom.  

O FSH pode ser normal ou elevado de forma intermitente nessa fase. Os ciclos podem ser de normais a levemente irregulares. Outro hormônio chamado inibina B, produzido pelos folículos maiores e responsável pela inibição do FSH, também está reduzido.

Perimenopausa precoce

A mulher entra nessa fase quando há uma diferença maior ou igual a 7 dias na duração de um ciclo menstrual para outro. Nela, a depleção dos folículos continua e o declínio do HAM reduz a inibição da ativação de outros folículos. Dessa forma, a ativação e o crescimento dos folículos remanescentes mantido à despeito da quantidade diminuída de seu número. A maioria dos ciclos são ovulatórios ainda.

A inibina B é um hormônio cada vez mais reduzido e a sua diminuição alivia o feedback negativo do FSH, ou seja, libera o FSH para que seja secretado pela hipófise de forma mais intensa e precoce. Há uma redução da fase folicular.

Apesar de haver uma redução na fase folicular, a enzima aromatase está mais ativa e consegue manter a produção do estrógeno semelhante às fases mais precoces da vida reprodutiva.

Figura 4. teoria das duas células: só as células da granulosa expressam a aromatase, que é responsável pela produção dos estrógenos. Por sua vez, só as células da teca produzem androgênios (hormônios masculinos). Células da teca e granulosa produzem progesterona sob estímulo do LH.

Após a ovulação, observa-se uma produção reduzida de progesterona e inibina A pelo corpo lúteo comparada com meados da fase reprodutiva. A redução da fase lútea associada ao recrutamento precoce de folículos leva à redução da duração do ciclo subsequente, com ciclos curtos sendo mais comuns nessa fase.

Perimenopausa tardia

Quando a mulher passa 60 dias ou mais sem menstruar, ela entrou na fase nessa fase, na qual os mecanismos compensatórios falham. O FSH está aumentado de forma consistente, os níveis de estrógeno variam um pouco, mas estando menores na maior parte do tempo e os ciclos são anovulatórios com mais frequência. Nessa fase, ainda existe o risco/possibilidade de gravidez.

Pós-menopausa precoce

São os 12 meses subsequentes à última menstruação. Nessa fase, a reserva ovariana é indetectável, o FSH continua a subir e o estrógeno continua a descer e se estabilizar após dois anos da fase final dos ciclos menstruais.

Sinais e sintomas da perimenopausa 

A duração média da transição menopáusica é de aproximadamente 4 anos. Os sintomas da menopausa tipicamente começam leves e vão se intensificando no final quando a amenorreia (ausência de menstruação) prolongada e os níveis de estrógeno mais baixos. Padrões de sangramento irregulares, com mudanças na duração do ciclo e tempo de sangramento são os sinais mais precoces da perimenopausa.

Os sintomas são mais frequentes e graves nos primeiros anos ou nos primeiro dois anos depois da última menstruação, mas algumas mulheres podem ter sintomas por até por uma década.

Sintomas vasomotores e sistema cardiovascular

Ondas de calor, os fogachos, são os sintomas vasomotores que afetam a maioria das mulheres que estão na perimenopausa e pioram a qualidade de vida. As ondas de calor duram vários minutos, começando com sensação de calor e vermelhidão na metade superior do corpo. Esse sintoma é produzido pela falta de estrógeno no centro no hipotálamo que regula a temperatura. A terapia hormonal é o tratamento mais efetivo para controle desse sintoma.

Em média, esse sintoma persiste por 4 a 5 anos, mas cerca de 25% das mulheres podem tê-lo até 10 anos. A terapia hormonal é o tratamento mais efetivo para dos fogachos.

O sintoma vasomotor é aparentemente um sintoma benigno. Muito embora, sintomas vasomotores intensos e prolongados são associados com aumento do risco cardiovascular. Não se sabe se o tratamento de fogachos graves ou tardios melhoram atenua o risco cardiovascular. Vamos ver mais adiante, que a terapia hormonal não é indicada para prevenção ou tratamento de doenças cardiovasculares, como outrora foi.

Geniturinário

As mudanças são decorrentes da falta do estrógeno e incluem atrofia da vulva e vagina, ressecamento vaginal, estreitamento e encurtamento da vagina, prolapso uterino e incontinência urinária. Essas mudanças podem causar dor no ato sexual, irritação local e aumento do risco de infecções urinárias. O tratamento com estrógeno alivia a maioria dos sintomas, exceto a incontinência urinária.

Humor

As variações de humor são principalmente aumento de depressão e ansiedade. Fatores de risco para depressão incluem história de depressão previamente, mas há também casos de um primeiro episódio depressivo, provavelmente devido ao aumento dos sintomas da perimenopausa.

Cognição

Durante a transição da menopausa, há um declínio da parte cognitiva, mas que parece retornar ao que era antes no fim do período da perimenopausa. A perda cognitiva aparentemente está mais associada à idade cronológica que a menopausa.

Sono

O envelhecimento está associado a uma piora no padrão de sono, entretanto, a maioria dos estudiosos sugerem que a perimenopausa piora a deterioração do sono. Essa piora não é totalmente explicada pelo aumento dos sintomas vasomotores à noite. As mulheres que relatam uma piora do padrão de sono têm fatores associados, como depressão, ansiedade, tabagismo, apneia obstrutiva do sono e baixa atividade física.

Libido

A diminuição do desejo sexual é prevalente nessa fase e pode atingir cerca de 10% das mulheres. Pensa-se que o baixo estrógeno e a redução da testosterona associadas ao envelhecimento podem ter efeitos sinérgicos para a redução do desejo sexual feminino.

Entretanto, a reposição de testosterona na mulher que tenha ou não os ovários funcionando mostrou pouco benefício no desejo sexual e na satisfação durante o ato sexual. O desejo sexual hipoativo nas mulheres é um diagnóstico clínico (não carece de exames laboratoriais), que é caracterizado por redução significativa do interesse ou da excitação sexual. Para esse problema, há duas medicações aprovadas nos EUA, mas elas não têm nada a ver com a testosterona. São medicações relacionadas com receptores para melanocortina e outra com os receptores de serotonina.

A testosterona pode ser usada quando há o diagnóstico do transtorno do desejo sexual hipoativo quando há sofrimento para mulher. Tem um post sobre esse assunto.

Ossos

A menopausa é um período em que há aumento da reabsorção óssea. O estrógeno é um agente antirreabsortivo potente, pois estimula os osteoblastos (células que formam osso) e aumentam a absorção de cálcio no intestino. O pico de massa óssea é atingido por volta dos 30 anos e a densidade óssea cai aproximadamente 0,7% ao ano.

A perda óssea fica acelerada um ano antes do fim dos ciclos menstruais e persiste até 3 anos após, com uma porcentagem queda da densidade mineral óssea que pode chegar a 5% ao ano. Depois essa velocidade de perda diminui, chegando aos níveis pré-menopausa.

Tratamento dos sintomas da perimenopausa

As opções de tratamento para os sintomas da menopausa incluem a terapia hormonal, medicações não hormonais e tratamento não medicamentoso.

Terapia hormonal

O tratamento com hormônios é considerado efetivo e seguro em pacientes com baixo risco cardiovascular, sem doença coronariana ou história de câncer de mama, <60 anos e com menos de 10 anos do início da menopausa.

A terapia hormonal NÃO deve ser usada como prevenção primária ou secundária para doença cardiovascular, embora tenha sido prescrita para essa finalidade no passado.

O risco de câncer de mama também deve ser seriamente considerado antes do início de uma terapia hormonal. Pacientes que já tenham tido câncer de mama ou que apresentem alto risco para tal, devem ser aconselhadas a iniciar uma alternativa de tratamento não hormonal.

Devido ao risco de câncer de mama com a terapia combinada de estrógeno mais progestágeno ser progressivo, mas de pequena ordem. As diretrizes dizem que até 5 anos de tratamento hormonal conferem risco baixo para essa complicação. Nas mulheres sem útero, que não precisam usar progestágeno, apenas estrógenos, parece haver uma redução do risco de câncer de mama.

Os esquemas de tratamento com hormônios são diversos, desde orais, transdérmicos e vaginais.

Eu não vou detalhar muito essa parte, pois não há receita de bolo. O que parece ser consenso é na reposição hormonal é o uso de progestágeno em mulheres que tenham útero para evitar proliferação ou câncer de endométrio. O sistema intrauterino com levonorgestrel, mais conhecido como DIU hormonal, também cumpre bem esse papel.

A testestosterona pode ser considerada nas mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo quando há sofrimento associado.

A terapia hormonal oral ou transdérmica é aconselha para o tratamento dos fogachos, enquanto as preparações vaginais são preferidas se as queixas são principalmente geniturinárias. O tratamento via vaginal não precisa associar progestágeno.

Terapia medicamentosa não hormonal

Indicada nas mulheres que têm receio ou contraindicação à terapia hormonal. Aqui entram os inibidores de recaptura da serotonina. O único aprovado nos Estados Unidos para o tratamento dos fogachos é a paroxetina. A gente não gosta muito desse antidepressivo pelo ganho de peso que ele pode provocar. O escitalopran é mais moderno e pode ser considerado em pacientes que tenham transtornos do humor ou do sono.

A clonidina trata hipertensão, mas pode mostrou ser útil no tratamento dos fogachos. A última medicação das que estão no mercado é a gabapentina, uma velha conhecida também. Mas vem coisa nova por ai…

Terapia não medicamentosa

São tratamentos menos estudados e por isso, há menos evidência científica para eles. Estratégias como terapia cognitivo-comportamental são úteis para insônia. Uma boa higiene do sono é fundamental. Yoga também se mostrou válida para insônia.

Exercício físico aeróbico melhora a insônia, mas não os fogachos.

O que não se mostrou útil nos estudos para insônia e humor: suplementos de ômega-3,

Conselhos úteis: reduzir o estresse quando possível, fazer algo divertido antes de dormir, vestir-se em camadas (como uma cebola), consumir bebidas geladas e evitar alimentos potencialmente ruins para o sono como cafeína, alimentos picantes e álcool.

Lubrificantes vaginais podem ser usados antes da relação sexual e não precisam de prescrição médica. Podem ser aplicados várias vezes ao dia e aliviam a dor durante o sexo.

Em resumo 

Paciente com menos de 60 anos de idade, que estejam não mais que 10 anos do início da menopausa, a terapia hormonal é um tratamento seguro para os sintomas da menopausa. Tem que aproveitar a “janela de oportunidade”.

As pacientes devem fazer uma avaliação do seu risco cardiovascular e de câncer de mama antes de começar o tratamento hormonal.

Os pacientes sintomáticos podem necessitar de um desmame dos esquemas de terapia hormonal enquanto adicionam esquemas não-hormonais para alívio dos sintomas.

Considerações finais

A transição menopáusica é um processo “irregularmente irregular”, que começa na terceira década de vida e pode durar mais de um a década.

A maioria das mulheres vão se relatar aos seus médicos sobre as mudanças da perimenopausa. Nesse momento, mesmo que o médico não prescreva terapia hormonal, pode ajudar em tratamentos não hormonais ou indicando terapias e estratégias não medicamentosas. Por exemplo, é importante perder peso para reduzir as perturbações dos fogachos.

Independente da estratégia que você optar junto com o seu médico para atravessar a perimenopausa, lembre-se que é só uma fase. A menopausa não é uma doença, é uma fase de transição de uma etapa a outra da vida, que tem seus desafios próprios.

Aqui vou deixar um último parágrafo para falar sobre a minha prática em relação ao tema: eu prescrevo hormônios para os sintomas da menopausa, mas em acompanhamento conjunto com o ginecologista, que está mais habituado a avaliar as alterações em mama e investigar sangramento genital caso ocorra. Importante é você ter profissionais parceiros e competentse para atravessar essa fase da vida.

Referências

Nanette Santoro, Cassandra Roeca, Brandilyn A Peters, Genevieve Neal-Perry, The Menopause Transition: Signs, Symptoms, and Management Options, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 106, Issue 1, January 2021, Pages 1–15, https://doi.org/10.1210/clinem/dgaa764

Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da SBEMhttps://www.endocrino.org.br/endocrinologia-feminina-e-andrologia/

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