Arquivo da categoria: Diabetes e hipoglicemia

São muitos os tipos de diabetes.
O diabetes tipo 2 é o mais comum. Tem uma combinação de resistência insulínica e defeito na secreção. Pode precisar de insulina no início para controlar mais rapidamente ou depois quando o pâncreas já secreta muito pouca insulina. Uma coisa que eu não falei no vídeo, é que o paciente pode ter a glicemia controlada se perder peso e fizer dieta.

Já o diabetes tipo 1 tem defeito na produção de insulina. O organismo produz anticorpos contra o pâncreas. A insulina é necessária desde o diagnóstico.

O diabetes gestacional aparece na gravidez e desaparece no parto. É controlada com dieta e algumas vezes é necessário medicação (insulina, preferencialmente). Tem um risco alto para desenvolver diabetes no futuro.

Nos outros tipos de diabetes, entram os casos de diabetes medicamentoso, neonatal e por síndromes raras. Aqui, destaco dois tipos:

– MODY (do inglês Maturity-Onset Diabetes of the Young ) é um defeito genético no canal de potássio que causa retardo na secreção de insulina. É causado por defeito em um único gene (monogenético) e passa de geração a geração e está presente ao nascimento. Controla bem com o grupo de medicação chamado de sulfonilureias (ex – gliclazida, glimepirida, glibenclamida) em doses baixas;

– LADA (acrônimo do ingles: latent autoimmune diabetes in adults) é um diabetes tipo 1 latente, que começa parecido com o diabetes tipo 2 e depois mostra todas as características de diabetes tipo 1, como necessidade de insulina e autoanticorpos positivos.

Disfunção sexual e diabetes

Nesse texto, vamos conversar um pouco sobre um assunto delicado: a disfunção sexual em pacientes com diabetes. Antes, vamos relembrar um pouco da fisiologia.  

Fisiologia sexual feminina e masculina

Na mulher, estímulos externos dos diversos sentidos (tato, olfato, audição etc.) e internos (emoções e fantasias) chegam ao cérebro e retornam através de estímulos preparando para o ato sexual. As reações físicas dependem do sistema autônomo simpático e parassimpático, resultando em aumento da congestão de sangue nos órgãos sexuais, lubrificação vaginal e aumento do clitóris).

No homem, quando ocorre o estímulo sexual pelos estímulos internos e externos, os nervos do pênis liberam óxido nítrico, que por sua vez produz GMP-cíclico e a camada interna dos vasos, chamada de endotélio, produz prostaglandinas, que geram AMP-cíclico. Esse ponto do é importante saber para entender os efeitos das medicações para disfunção erétil.

Esses neurotransmissores relaxam a musculatura e dilatam os vasos, permitindo a entrada de sangue pelas artérias locais ao mesmo tempo que reduzem o retorno do sangue pelas veias, causando ereção do órgão. Esse fenômeno é mediado pelo sistema parassimpático, de relaxamento. O contrário acontece na detumescência (estado flácido) e é mediado pelo sistema simpático.

Quanto aos hormônios, na mulher, a testosterona está envolvida no desejo sexual e o estrógeno na lubrificação vaginal.

No homem, ao contrário do que possa se pensar, a testosterona não age como protagonista na ereção masculina, mas está relacionada ao desejo sexual (mas não só ela).

As disfunções sexuais são definidas por dificuldade em experimentar uma atividade sexual satisfatória.

Disfunções sexuais e diabetes

O desejo sexual depende algo dos hormônios e bastante da parte psicológica. Falando da parte psicológica, é sabido que muitos pacientes com diabetes têm depressão e também com transtorno pelo tratamento do diabetes, o que fica fácil de já entender que o desejo sexual está comprometido.

Antes de falar das disfunções orgânicas, devemos lembrar que muitas medicações utilizadas para depressão e alguns anti-hipertensivos podem impactar negativamente na função sexual.

Já partindo para parte orgânica, a hiperglicemia afeta tanto os vasos quanto os nervos.

Como a ereção é um fenômeno vascular, desencadeado por estímulo neuronal, intermediado por neurotransmissores, que depende da integridade de cada tecido. As alterações primárias (do próprio local) ou secundária (de outro local que refletem no órgão efetor) pode causar disfunção sexual e erétil.

Quando os nervos são afetados pela hiperglicemia crônica, pelo diabetes descompensado por muito tempo, falamos que há uma neuropatia diabética e o sistema nervoso autônomo é o de interesse quando o assunto é disfunção sexual, que afeta a ereção peniana e a lubrificação vaginal.

Sendo assim, na disfunção sexual masculina, o problema pode ser decorrente da neuropatia autonômica, da vasculopatia ou dos dois combinados.

Claro que como endocrinologistas, sempre olhamos os hormônios.

A testosterona é sempre solicitada nas disfunções sexuais masculinas, mas nunca nas femininas.

Sobre a testosterona na mulher, conversamos sobre o tema em outro post. Ela não precisa ser solicitada como exame de triagem nas disfunções sexuais, a não ser se temos suspeita de excesso de testosterona.

A disfunção sexual masculina é 3,5 vezes mais prevalente em homens com diabetes comparadas aos homens não têm diabetes.

Muitos pacientes com diabetes têm também obesidade com concentração de gordura intra-abdominal. A obesidade causa redução da produção de testosterona de forma funcional, quadro conhecido como MOSH (Male Obesity Secondary Hypogonadism) e os baixos níveis de testosterona dificultam o emagrecimento e impactam na função sexual. Essa situação pode ser reversível.

Prevenção da disfunção sexual no diabetes

Quando se fala em complicação crônica do diabetes, sempre batemos naquela velha tecla de controlar bem a glicemia, a pressão, o colesterol e triglicérides, a obesidade, evitar o fumo e o sedentarismo.

Para disfunção sexual masculina e feminina é importante tratar a parte psicológica não só direcionado às disfunções sexuais como também o convívio com o diabetes, outras comorbidades crônicas e suas complicações. As complicações do diabetes quase sempre vêm acompanhadas por outras.

Tratamento da disfunção sexual

Depois de descartadas as interferências psicológicas, de relacionamento com a parceria, efeito colateral de medicações, hipogonadismo masculino, podemos pensar no tratamento mais específico da disfunção sexual.

Se a mulher estiver no climatério, a terapia hormonal da menopausa pode ser considerada primeiramente com estradiol e progesterona, essa última obrigatória nas mulheres com útero. A testosterona transdérmica está reservada para pacientes com desejo sexual hipoativo com sofrimento importante e sem contraindicação ao uso de hormônio, como já comentado em um post passado.

O uso de hormônios tópicos, lubrificantes vaginais, terapia com laser podem ajudar na queixa de ressecamento.

Nos homens, vamos nos prolongar um pouco mais e abordar mais especificamente a disfunção erétil.

Relembrando que o mecanismo da ereção há vasodilatação após o estímulo sexual. Os impulsos liberam produção de óxido nítrico pelas células endoteliais, que difundem até o músculo liso adjacente e estimula a formação de GMP cíclico, levando a vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo peniano.

As medicações mais utilizadas para disfunção erétil são os inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5) – Viagra® e companhia.

Inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5)

Os inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE-5) “desligam” essa enzima, que degrada o GMPc. Inibindo a fosfodiesterase, o GMP cíclico circula mais tempo, levando à dilatação do músculo liso e mantendo ereção por mais tempo.

Essa ação dos inibidores da PDE-5 foi descoberta ao acaso, já que a medicação foi inicialmente estudada para tratamento da hipertensão.

Os seguintes inibidores da PDE corriqueiramente recomendados para o tratamento da disfunção erétil são:

  • Sildenafila: 25 mg a 100 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.
  • Tadalafila: 5 mg a 20 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.
  • Vardenafila: 10 mg a 20 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.

Contraindicações absolutas

É quando o paciente não pode e não deve tomar de jeito nenhum.

Em pacientes tomando nitratos, que são medicações potentes que dilatam os vasos e fazem a pressão despencar quando usados ao mesmo tempo que os inibidores de PDE5. É uma combinação explosiva, ou implosiva?

Os nitratos orais e a nitroglicerina transdérmica são utilizados para prevenir a angina (dor) de origem cardíaca. Quem usa os nitratos de longa duração, como a isosorbida e a nitroglicerina transdérmica não podem usar os inibidores de PDE5 (viagra® e correlatos).

Pacientes que tomam medicações para arritmia cardíaca devem consultar os seus cardiologistas antes de usar a vardenafila.

Contraindicações relativas

É quando o paciente pode tomar se o médico achar que os benefícios superam os riscos.

  • História de infarto do miocárdio, derrame ou arritmia grave nos últimos 6 meses
  • Hipotensão ou hipertensão de repouso
  • História de insuficiência cardíaca ou angina instável
  • Uso concomitante de alfabloqueadores. Esses últimos são bastante usados para quem tem problemas de próstata e podem abaixar muito a pressão arterial.

Nos pacientes sem contraindicação aos inibidores da PDE5, podemos fazer um teste terapêutico com um desses medicamentos e avaliar se o paciente tem boa resposta. Lembrando que é preciso uma dose maior para os homens sem diabetes.

Se houver boa resposta ao uso de inibidores da PDE5, é sinal de que a parte vascular peniana está minimamente preservada, podendo estar comprometida mais a parte psíquica ou dos nervos (neuropatia autonômica).

Se não houver boa resposta, é possível que a haja um comprometimento considerável da parte vascular e um urologista deve ser consultado para uma avaliação mais detalhada e propor um tratamento alternativo.

Considerações finais

Falar de sexualidade com o paciente nem sempre é fácil, mas é necessário. As mulheres talvez se queixem mais para os ginecologistas, os homens para os urologistas.

Nem sempre o paciente faz essa ligação que a disfunção sexual pode ser uma complicação do diabetes. Os homens talvez tenham mais essa noção desse elo entre diabetes e disfunção erétil e os poucos que têm coragem de se queixar ao endocrinologista certamente estão em grande sofrimento para externar a situação.

A equipe multidisciplinar mais uma vez é essencial para o manejo das disfunções sexuais: profissionais de saúde mental, sexólogos, ginecologistas, urologistas, cardiologistas, neurologistas, endocrinologistas, entre outros precisam estar alinhados para o tratamento do paciente nas diversas esferas de sua vida.   

Referências

CLAPAUCH, Ruth. Endocrinologia Feminina & Andrologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2022. E-book. p.331. ISBN 9786555721645.

WEIN, Alan J. Campbell-Walsh Urologia. 11. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2018. E-book. p.627. ISBN 9788595152038.

Dhaliwal A, Gupta M. PDE5 Inhibitors. [Updated 2023 Apr 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK549843/

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Diabetes tipo 5: a reclassificação do diabetes ligado à desnutrição

O diabetes tipo 5 é novidade, mas nem tanto assim. Esse ano é que veio essa nova nomenclatura, proposta durante um encontro de consenso em Vellore, Índia, em janeiro de 2025, e formalizada pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em seu Congresso Mundial de Diabetes em abril de 2025.

Historicamente, esta condição era referida como diabetes relacionado à desnutrição, tendo sido formalmente classificada pela OMS em 1985, embora essa classificação tenha sido removida em 1999, entretanto, essa classificação ainda persiste na Classificação Internacional de Doenças (CID) sob o código E12.

Esta classificação descreve uma forma distinta de diabetes observada em indivíduos magros com um histórico de subnutrição

Os critérios diagnósticos e as características clínicas do DM5 são fundamentais para diferenciá-lo do diabetes tipo 1 (DM1) e do diabetes tipo 2 (DM2), especialmente em países de baixa e média renda onde a prevalência é significativa. Estima-se que 25 milhões de pessoas tenham essa forma de diabetes globalmente.

Apesar do Brasil estar atualmente fora do mapa da fome mundial, sabemos que nos rincões do país, ou não tão longe, temos mães e crianças subnutridas.

Para esse tipo de diabetes, a fisiopatologia é multifatorial e não totalmente conhecida.

Agora, vamos ver os principais pontos da recente publicação no Lancet sobre esse tema.

Diagnóstico

Embora não sejam universalmente presentes em todos os pacientes, as seguintes características ajudam a distinguir o DM5 e apoiam o diagnóstico, sendo frequentemente relatadas:

Características Comumente Reportadas

  1. IMC (Índice de Massa Corporal) inferior a <18,5 kg/m2 para adultos*
  2. Hiperglicemia moderada a grave
  3. Baixas concentrações de peptídeo C em jejum ou em estado aleatório, ou baixa insulina sérica
  4. Resistência à cetose
  5. Negativo para sinais clínicos de resistência à insulina (ex: acantosis nigricans/acantose nigricante)
  6. Negativo para o anticorpo GAD-65 (e anticorpos IA-2 e ZnT8, se disponíveis)

Características Ocasionalmente Reportadas

1.Histórico de subnutrição na vida precoce, evidenciado por um ou mais dos seguintes:

  • Histórico de baixo peso ao nascer
  • Histórico de subnutrição na infância
  • Histórico de nanismo/atraso de crescimento na infância

2.Um histórico de subnutrição na vida precoce (intrauterina, infância, primeira e segunda infância, e adolescência), conforme demonstrado por:

  • IMC inferior a -3 DP para a idade de 5 a 19 anos*
  • IMC inferior a -3 DP para a idade de 5 a 19 anos*

3. Pâncreas normal em exames de imagem pancreática abrangentes (ultrassonografia ou, preferencialmente, tomografia computadorizada)

4. Baixa porcentagem de gordura corporal total densitometria de corpo inteiro ou análise de bioimpedância

5. Estudos monogênicos de células beta negativos para variantes genéticas

6. Baixo nível socioeconômico

7. Origem rural

*Embora esta declaração de consenso proponha pontos de corte para IMCs e o diagnóstico de subnutrição, mais pesquisas são necessárias para estabelecer valores de corte específicos para o diagnóstico de subnutrição associada ao diabetes tipo 5.

Implicações e Necessidade de Diferenciação

O reconhecimento destas características é crucial. O fenótipo do DM5 deve ser diferenciado de outras formas atípicas, como DM1 com autoanticorpos negativos ou DM2} em indivíduos que perderam peso devido à hiperglicemia descontrolada. O diagnóstico incorreto, especialmente como DM1, pode levar à hipoglicemia iatrogênica grave devido à administração de grandes quantidades de insulina que o paciente magro subnutrido pode não necessitar.

Os indivíduos com DM5 podem precisar apenas de quantidades mínimas de insulina ou abordagens alternativas para estimular a secreção de insulina para o controle da glicemia.

Nos pacientes que ganharam muito peso posteriormente na vida adulta, a resistência à insulina pode surgir e o tratamento será semelhante ao diabetes tipo 2. (Fig 1)

Figura 1. Desenvolvimento do diabetes tipo 5 e evolução na vida adulta conforme oferta de calorias. Modificado de Ref 1.

Considerações finais

Esse novo tipo de diabetes já é um velho conhecido dos médicos de algumas décadas de atendimento. A medicina e a endocrinologia haviam deixado, aparentemente, esse tipo de diabetes de lado, mas ele sempre esteve presente. A partir de agora, é importante reconhecê-lo para um tratamento adequado.

Possivelmente, os endocrinologistas de adulto deverão perguntar mais ativamente sobre as condições de nascimento e primeira infância do paciente com diabetes.

Em relação ao tratamento, não tem medicações novas. Já falando da prevenção, esse é mais um desafio de governos locais e globais para erradicação da fome no mundo. Tarefa nada fácil, não é?

Referência

1.            Wadivkar P, Jebasingh F, Thomas N, Yajnik CS, Vaag AA, Kibirige D, et al. Classifying a distinct form of diabetes in lean individuals with a history of undernutrition: an international consensus statement. The Lancet Global Health. 2025;13(10):e1771–e6.

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Estudos que comparam a Tirzepatida com a Semaglutida

A tirzepatida e a semaglutida são as medicações administradas em canetas no tecido subcutâneo que são aprovadas para obesidade e diabetes. Como já comentado em outro post, sobre os hormônios intestinais, a tirzepatida é um análogo dual de GLP1 e GIP, enquanto a semaglutida é só um análogo de GLP1.

Elas podem vir com diferentes nomes comerciais e são popularmente conhecidas como “canetas emagrecedoras”.

A semaglutida com apresentação aprovada para diabetes tipo 2 vai até 1,0mg e tem o nome de Ozempic ®.

A mesma molécula, semaglutida, aprovada para o tratamento de obesidade vai até 2,4mg e está sob o nome comercial do Wegovy ®.

A tirzepatida que chegou no Brasil foi aprovada apenas para o uso em diabetes tipo 2. O nome comercial é o Mounjaro® e vai até a dose de 5,0mg.

Não sabemos se a apresentação da tirzepatida para o tratamento da obesidade virá com o mesmo nome, mas deve vir com apresentações até 15mg.

Bem, houve 2 estudos comparando a tirzepatida (Mounjaro®) com a Semaglutida (Ozempic® e Wegovy®).

Comparação entre tirzepatida e semaglutida no diabetes tipo 2

O primeiro foi o SURPASS-2. Esse estudo durou 40 semanas e envolveu 1878 pessoas com sobrepeso e diabetes tipo 2 em uso apenas de metformina.

O principal objetivo do estudo foi ver melhora do controle glicêmico. O objetivo secundário foi ver a perda de peso nessas pessoas.

Todas as apresentações da tirzepatida (até 15mg do Mounjaro®) foram comparados com a semaglutida de 1,0mg (Ozempic®).

O resultado foi que todas as apresentações da tirzepatida foram superiores à Semaglutida de 1,0mg no controle do diabetes e na perda de peso.

Figura 1. Resultado de melhora do controle glicêmico com tirzepatida e semaglutida (desfecho primário). Ref 1.

A dose de 5mg da tirzepatida (Moujaro) conseguiu reduzir a 7,0% a Hb glicada em 82% comparados a 79% no grupo da semaglutida (Ozempic®). 86% dos pacientes com a dose de 15mg conseguiram chegar nesse alvo. A hemoglobina glicada média de início era 8,3%).

Em relação ao peso, após 40 semanas, temos os seguintes resultados:

A semaglutida de 1mg reduziu 6,7% do peso inicial, a tirzepatida 5mg reduziu 8,5% e tirzepatida de 15mg em 13,1% do peso inicial dos pacientes. O IMC inicial médio foi de 33kg/m2. A perda de peso ainda foi significativamente maior nos pacientes com qualquer apresentação da tirzepatida em comparação como a semaglutida.

Figura 2. Resultado quanto à perda de peso e lípides da tirzepatida e semaglutida (desfecho secundário). Ref 1.

Aqui, eu estou incluindo a apresentação de 5mg que é o que temos no momento disponível no mercado brasileiro.

Comparação entre tirzepatida e semaglutida na obesidade

Mas como foi a comparação da tirzepatida com a semaglutida em doses maiores de semaglutida para obesidade?

Essa resposta foi dada pelo estudo que saiu recentemente, o SURMOUNT 5, que comparou as máximas doses toleradas de tirzepatida (até 10 – 15mg) e semaglutida (até 1,7 – 2,4mg), cujo nome comercial seria o Wegovy.

O estudo foi até 72 semanas e incluiu cerca de 700 pessoas com sobrepeso com comorbidades ou obesidade, mas sem diabetes. O IMC inicial médio foi de 39 kg/m2.

O objetivo principal foi avaliar a porcentagem de peso perdida.

Como foram os resultados?

A dose de tirzepatida de 10 ou 15mg – reduziu em 20,2% o peso das pessoas comparado ao início do estudo, enquanto a dose de semaglutida de 1,7 ou 2,4mg, reduziu 13,7%. A tirzepatida também foi superior à semaglutida em reduzir a circunferência de cintura.

Figura 3. Redução do peso e circunferência de cintura. Comparação entre tirzepatida e semaglutida (doses máximas toleradas). Ref. 2.

E a dose de 5mg de tirzepatida, quanto reduziu? Não sabemos, provavelmente menos. Essa dose não foi testada.

O interessante desse estudo é que mulheres responderam melhor ao tratamento que homens.


Em relação aos eventos adversos, que são principalmente náusea, vômito, constipação ou diarreia, eles foram considerados na maioria leve a moderados e semelhantes nos grupos da tirzepatida e semaglutida. Entretanto, mais pessoas no grupo da semaglutida descontinuaram o tratamento devido aos efeitos colaterais da medicação.

Figura 4. Prevalência de efeitos colaterais da tirzepatida e semaglutida. Ref 2.

O que podemos concluir?


Que a tirzepatida (Mounjaro®) na dose de 5mg até 15mg é superior à semaglutida (Ozempic®) em controlar o diabetes e para perda de peso em pessoas com sobrepeso e diabetes tipo 2.

Que a tirzepatida (Moujaro®) na dose de 10 ou 15mg é superior à 1,7 ou 2,4mg de semaglutida (Wegovy®) para pacientes com sobrepeso e obesidade na redução do peso.

A pergunta que fica é:

Como seria a dose de 5mg de tirzepatida (Mounjaro®) contra a 1,7 a 2,4mg de semaglutida (Wegovy), já que são essas duas medicações que temos disponíveis nas drogarias. O valor pago por uma quantidade semelhante de perda de peso seria o mesmo ou ainda teremos um melhor custo-benefício do Moujaro sobre o Wegovy?

Qual o palpite de vocês?

Referências

Frías JP, Davies MJ, Rosenstock J, Pérez Manghi FC, Fernández Landó L, Bergman BK, Liu B, Cui X, Brown K; SURPASS-2 Investigators. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2021 Aug 5;385(6):503-515. doi: 10.1056/NEJMoa2107519. Epub 2021 Jun 25. PMID: 34170647.

Aronne LJ, Horn DB, le Roux CW, Ho W, Falcon BL, Gomez Valderas E, Das S, Lee CJ, Glass LC, Senyucel C, Dunn JP; SURMOUNT-5 Trial Investigators. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2025 May 11. doi: 10.1056/NEJMoa2416394. Epub ahead of print. PMID: 40353578.

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