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Disfunção sexual e diabetes

Nesse texto, vamos conversar um pouco sobre um assunto delicado: a disfunção sexual em pacientes com diabetes. Antes, vamos relembrar um pouco da fisiologia.  

Fisiologia sexual feminina e masculina

Na mulher, estímulos externos dos diversos sentidos (tato, olfato, audição etc.) e internos (emoções e fantasias) chegam ao cérebro e retornam através de estímulos preparando para o ato sexual. As reações físicas dependem do sistema autônomo simpático e parassimpático, resultando em aumento da congestão de sangue nos órgãos sexuais, lubrificação vaginal e aumento do clitóris).

No homem, quando ocorre o estímulo sexual pelos estímulos internos e externos, os nervos do pênis liberam óxido nítrico, que por sua vez produz GMP-cíclico e a camada interna dos vasos, chamada de endotélio, produz prostaglandinas, que geram AMP-cíclico. Esse ponto do é importante saber para entender os efeitos das medicações para disfunção erétil.

Esses neurotransmissores relaxam a musculatura e dilatam os vasos, permitindo a entrada de sangue pelas artérias locais ao mesmo tempo que reduzem o retorno do sangue pelas veias, causando ereção do órgão. Esse fenômeno é mediado pelo sistema parassimpático, de relaxamento. O contrário acontece na detumescência (estado flácido) e é mediado pelo sistema simpático.

Quanto aos hormônios, na mulher, a testosterona está envolvida no desejo sexual e o estrógeno na lubrificação vaginal.

No homem, ao contrário do que possa se pensar, a testosterona não age como protagonista na ereção masculina, mas está relacionada ao desejo sexual (mas não só ela).

As disfunções sexuais são definidas por dificuldade em experimentar uma atividade sexual satisfatória.

Disfunções sexuais e diabetes

O desejo sexual depende algo dos hormônios e bastante da parte psicológica. Falando da parte psicológica, é sabido que muitos pacientes com diabetes têm depressão e também com transtorno pelo tratamento do diabetes, o que fica fácil de já entender que o desejo sexual está comprometido.

Antes de falar das disfunções orgânicas, devemos lembrar que muitas medicações utilizadas para depressão e alguns anti-hipertensivos podem impactar negativamente na função sexual.

Já partindo para parte orgânica, a hiperglicemia afeta tanto os vasos quanto os nervos.

Como a ereção é um fenômeno vascular, desencadeado por estímulo neuronal, intermediado por neurotransmissores, que depende da integridade de cada tecido. As alterações primárias (do próprio local) ou secundária (de outro local que refletem no órgão efetor) pode causar disfunção sexual e erétil.

Quando os nervos são afetados pela hiperglicemia crônica, pelo diabetes descompensado por muito tempo, falamos que há uma neuropatia diabética e o sistema nervoso autônomo é o de interesse quando o assunto é disfunção sexual, que afeta a ereção peniana e a lubrificação vaginal.

Sendo assim, na disfunção sexual masculina, o problema pode ser decorrente da neuropatia autonômica, da vasculopatia ou dos dois combinados.

Claro que como endocrinologistas, sempre olhamos os hormônios.

A testosterona é sempre solicitada nas disfunções sexuais masculinas, mas nunca nas femininas.

Sobre a testosterona na mulher, conversamos sobre o tema em outro post. Ela não precisa ser solicitada como exame de triagem nas disfunções sexuais, a não ser se temos suspeita de excesso de testosterona.

A disfunção sexual masculina é 3,5 vezes mais prevalente em homens com diabetes comparadas aos homens não têm diabetes.

Muitos pacientes com diabetes têm também obesidade com concentração de gordura intra-abdominal. A obesidade causa redução da produção de testosterona de forma funcional, quadro conhecido como MOSH (Male Obesity Secondary Hypogonadism) e os baixos níveis de testosterona dificultam o emagrecimento e impactam na função sexual. Essa situação pode ser reversível.

Prevenção da disfunção sexual no diabetes

Quando se fala em complicação crônica do diabetes, sempre batemos naquela velha tecla de controlar bem a glicemia, a pressão, o colesterol e triglicérides, a obesidade, evitar o fumo e o sedentarismo.

Para disfunção sexual masculina e feminina é importante tratar a parte psicológica não só direcionado às disfunções sexuais como também o convívio com o diabetes, outras comorbidades crônicas e suas complicações. As complicações do diabetes quase sempre vêm acompanhadas por outras.

Tratamento da disfunção sexual

Depois de descartadas as interferências psicológicas, de relacionamento com a parceria, efeito colateral de medicações, hipogonadismo masculino, podemos pensar no tratamento mais específico da disfunção sexual.

Se a mulher estiver no climatério, a terapia hormonal da menopausa pode ser considerada primeiramente com estradiol e progesterona, essa última obrigatória nas mulheres com útero. A testosterona transdérmica está reservada para pacientes com desejo sexual hipoativo com sofrimento importante e sem contraindicação ao uso de hormônio, como já comentado em um post passado.

O uso de hormônios tópicos, lubrificantes vaginais, terapia com laser podem ajudar na queixa de ressecamento.

Nos homens, vamos nos prolongar um pouco mais e abordar mais especificamente a disfunção erétil.

Relembrando que o mecanismo da ereção há vasodilatação após o estímulo sexual. Os impulsos liberam produção de óxido nítrico pelas células endoteliais, que difundem até o músculo liso adjacente e estimula a formação de GMP cíclico, levando a vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo peniano.

As medicações mais utilizadas para disfunção erétil são os inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5) – Viagra® e companhia.

Inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5)

Os inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE-5) “desligam” essa enzima, que degrada o GMPc. Inibindo a fosfodiesterase, o GMP cíclico circula mais tempo, levando à dilatação do músculo liso e mantendo ereção por mais tempo.

Essa ação dos inibidores da PDE-5 foi descoberta ao acaso, já que a medicação foi inicialmente estudada para tratamento da hipertensão.

Os seguintes inibidores da PDE corriqueiramente recomendados para o tratamento da disfunção erétil são:

  • Sildenafila: 25 mg a 100 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.
  • Tadalafila: 5 mg a 20 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.
  • Vardenafila: 10 mg a 20 mg por via oral, administrados 1 hora antes do ato sexual.

Contraindicações absolutas

É quando o paciente não pode e não deve tomar de jeito nenhum.

Em pacientes tomando nitratos, que são medicações potentes que dilatam os vasos e fazem a pressão despencar quando usados ao mesmo tempo que os inibidores de PDE5. É uma combinação explosiva, ou implosiva?

Os nitratos orais e a nitroglicerina transdérmica são utilizados para prevenir a angina (dor) de origem cardíaca. Quem usa os nitratos de longa duração, como a isosorbida e a nitroglicerina transdérmica não podem usar os inibidores de PDE5 (viagra® e correlatos).

Pacientes que tomam medicações para arritmia cardíaca devem consultar os seus cardiologistas antes de usar a vardenafila.

Contraindicações relativas

É quando o paciente pode tomar se o médico achar que os benefícios superam os riscos.

  • História de infarto do miocárdio, derrame ou arritmia grave nos últimos 6 meses
  • Hipotensão ou hipertensão de repouso
  • História de insuficiência cardíaca ou angina instável
  • Uso concomitante de alfabloqueadores. Esses últimos são bastante usados para quem tem problemas de próstata e podem abaixar muito a pressão arterial.

Nos pacientes sem contraindicação aos inibidores da PDE5, podemos fazer um teste terapêutico com um desses medicamentos e avaliar se o paciente tem boa resposta. Lembrando que é preciso uma dose maior para os homens sem diabetes.

Se houver boa resposta ao uso de inibidores da PDE5, é sinal de que a parte vascular peniana está minimamente preservada, podendo estar comprometida mais a parte psíquica ou dos nervos (neuropatia autonômica).

Se não houver boa resposta, é possível que a haja um comprometimento considerável da parte vascular e um urologista deve ser consultado para uma avaliação mais detalhada e propor um tratamento alternativo.

Considerações finais

Falar de sexualidade com o paciente nem sempre é fácil, mas é necessário. As mulheres talvez se queixem mais para os ginecologistas, os homens para os urologistas.

Nem sempre o paciente faz essa ligação que a disfunção sexual pode ser uma complicação do diabetes. Os homens talvez tenham mais essa noção desse elo entre diabetes e disfunção erétil e os poucos que têm coragem de se queixar ao endocrinologista certamente estão em grande sofrimento para externar a situação.

A equipe multidisciplinar mais uma vez é essencial para o manejo das disfunções sexuais: profissionais de saúde mental, sexólogos, ginecologistas, urologistas, cardiologistas, neurologistas, endocrinologistas, entre outros precisam estar alinhados para o tratamento do paciente nas diversas esferas de sua vida.   

Referências

CLAPAUCH, Ruth. Endocrinologia Feminina & Andrologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2022. E-book. p.331. ISBN 9786555721645.

WEIN, Alan J. Campbell-Walsh Urologia. 11. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2018. E-book. p.627. ISBN 9788595152038.

Dhaliwal A, Gupta M. PDE5 Inhibitors. [Updated 2023 Apr 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK549843/

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Alterações hormonais causadas pelos opioides

Eu espero que aqui não chegue a tal crise pelo abuso de opioides que acometeu a terra do Tio Sam. O uso de opioide aumentou nas últimas décadas em vários países. Apesar do seu uso ter reduzido nos EUA no começo da última década, a mortalidade cresceu muito naquele país. Aqui no Brasil, de 2009 a 2015, o consumo de opioides cresceu quase cinco vezes!! (1).

Todo esse alarme foi antes do início pandemia de covid-19, mas acho que as coisas não devem ter melhorado muito. De certa forma, é bom a gente saber que os opioides ou opiáceos mexem com os hormônios também.

O primeiro registro do uso de ópio foi datado cerca de 4.000 anos antes da era cristã. Ele é obtido a partir da Papaver somniferum, um tipo de papoula. A morfina deu origem a vários compostos, os quais veremos a seguir.

Tipo de opioidesubstância
Natural  Morfina
Codeína  
Semi-sintético  Diamorina (heroina)
Buprenorfina
Dihidrocodeína
Hidromorfona
Oxicodona  
Sintéticos  Alfentanil
Fentanil
Metadona
Pentazocina
Petidina (meperidina)
Tramadol  
Tabela 1. Tipos de opioides mais comumente prescritos

Na medicina, os opioides foram usados inicialmente como analgésicos. Outros tipos de opioides, como a codeína, morfina e metadona, são utilizados para controle da tosse em pacientes com câncer de pulmão. Já a loperamida e a codeína são usadas primariamente para controle da diarreia e síndrome do cólon irritável. Finalmente, a heroína é utilizada como droga recreativa devido aos seus efeitos estimulantes. Certamente, você já ouviu falar de algum deles ou até tomou algum para outro motivo que não tratamento de dor. 

Os opioides causam distúrbios em três sistemas na endocrinologia:

  • Hipotálamo-hipófise-gonadal (ovários e testículos)
  • Hipotálamo-hipófise-adrenal
  • Prolactina

Em todos os pacientes que estejam em uso de corticoide, devemos questionar sobre sintomas nessas três esferas (2).

Figura 1. Investigação inicial do paciente em uso de opiáceos

Eixo hipotálamo-hipotálamo-gônadas

A deficiência dos hormônios sexuais, também chamada de hipogonadismo, é talvez o efeito mais conhecido dos opioides sobre o sistema endócrino.

Muitos hormônios são liberados de forma cíclica em pulsos. O hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH) é produzido no hipotálamo e estimula a liberação de LH (hormônio luteinizante) e em menor grau o FSH (hormônio folículo estimulante). Essas gonadotrofinas estimulam a produção de estrógeno e testosterona, respectivamente, pelos ovários ou testículos. Pode ser que os opioides tenham efeitos diretos sobre os testículos.

O uso a longo prazo (pelo menos um mês) tem efeitos na redução da testosterona em homens.

Um estudo mostrou em mulheres de 18 a 55 anos, o uso de opioides por um tempo maior que três meses foi associado a risco maior de parada da menstruação (amenorreia) e menopausa. Há de se considerar que os pacientes com dor crônica, a presença de outras doenças e medicações e a idade do paciente pode contribuir para a irregularidade menstrual.

Como um ciclo vicioso, as várias consequências do hipogonadismo, incluindo disfunção erétil, impotência, redução da massa muscular em homens; redução dos ciclos menstruais (oligomenorreia) ou cessação dos ciclos (amenorreia) em mulheres; e redução da libido, infertilidade, perda de massa óssea e depressão em ambos os sexos, também podem contribuir para o controle inadequado da dor.

O tratamento para essa complicação, tanto em homens como mulheres, é descontinuar ou reduzir a dose de opiáceos. Se isso não for possível, considerar a reposição dos hormônios sexuais.

Figura 2. Manejo do hipogonadismo hipogonadotrófico secundário ao uso de opioides

Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal

Sobre as adrenais, os efeitos dos opioides são menos claros. Essa adrenal é sempre misteriosa!

Os opioides inibem o hormônio hipotalâmico liberador da corticotrofina (CRH) que estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e, por sua vez, o cortisol pela adrenal. Parece que também há um efeito direto do opioide sobre a própria adrenal.

O uso por curto período ou prolongadamente podem inibir o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Para o diagnóstico desse tipo de insuficiência adrenal secundária pode ser necessário o uso de testes de estímulo como o da cortrosina e de tolerância a insulina.
Como sempre, a interpretação dos níveis de cortisol deve ser feita considerando se a pessoa está também em uso de corticoides.

A redução da dose ou suspenção do opioide melhora ou restaura a função desse eixo.

Dúvidas existem se a reposição de corticoide de forma rotineira deve ser feita. Após a suspensão da medicação, a recuperação da adrenal deve ser avaliada com dosagens de cortisol no sangue no período da manhã de forma periódica.

Figura 3. Manejo da insuficiência adrenal causada por opioide

Prolactina

Os opioides estimulam a liberação da prolactina provavelmente por inibição da dopamina. O aumento da prolactina, por sua vez, pode piorar o quadro de hipogonadismo.

Figura 4. Ação dos opioides sobre o hipotálamo e a hipófise, resultando no aumento da prolactina e redução dos gonadotrofinas. Modificado de Wehbeh e col (3)

A redução, descontinuação ou troca do opioide são estratégias sugeridas para redução da prolactina.

Para saber mais sobre a prolactina, tem várias publicações aqui no blog.

Figura 5. Tratamento da hiperprolactinemia induzida por opioides

Metabolismo ósseo

Os prováveis efeitos negativos dos opioides sobre a densidade mineral óssea são pela ação indireta, por conta do hipogonadismo, e diretamente pelo efeito na remodelação óssea. Essas medicações são associadas a maior risco de fratura também por conta dos seus efeitos sedativos que predispõem a quedas.

Além da avaliação hormonal dos eixos anteriormente mencionados, a avaliação do paciente em uso crônico de opioides deve incluir o exame de densitometria óssea.

Considerações finais

Os efeitos dos opioides são mais bem documentados sobre a redução dos hormônios sexuais (hipogonadismo). A insuficiência adrenal também foi documentada, tanto em uso de curto prazo e longo prazo.  Os efeitos sobre os ossos não devem ser esquecidos.

O aumento da prolactina com o uso de opioide é mais bem estabelecido, mas não há dados concretos sobre os outros eixos em que a hipófise está envolvida, como o da tireoide, hormônio do crescimento e ocitocina.

Agora, imagina se Dr. House fosse paciente! Certamente, ele teria que fazer uma avaliação hormonal e óssea. Brincadeiras à parte, o uso de opioide deve ser muito, mas muito criterioso por conta dos efeitos no sistema endócrino e muitos outros mais.  

Referências

  1. Krawczyk N, Greene MC, Zorzanelli R, Bastos FI. Rising Trends of Prescription Opioid Sales in Contemporary Brazil, 2009-2015. Am J Public Health. 2018 May;108(5):666-668. doi: 10.2105/AJPH.2018.304341. Epub 2018 Mar 22. PMID: 29565665; PMCID: PMC5888056.
  • Fountas A, Van Uum S, Karavitaki N. Opioid-induced endocrinopathies. Lancet Diabetes Endocrinol. 2020 Jan;8(1):68-80. doi: 10.1016/S2213-8587(19)30254-2. Epub 2019 Oct 14. PMID: 31624023.
  • Wehbeh L, Dobs AS. Opioids and the Hypothalamic-Pituitary-Gonadal (HPG) Axis. J Clin Endocrinol Metab. 2020 Sep 1;105(9):dgaa417. doi: 10.1210/clinem/dgaa417. PMID: 32770254.

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Uso de pílula e desejo sexual

Esse texto tem o objetivo de explicar a relação do uso da pílula anticoncepcional e desejo sexual. Vamos passar pelo efeito do contraceptivo oral na produção dos hormônios femininos e a proteína chamada SHBG.

Testosterona em mulheres e desejo sexual

Para todas as minhas pacientes que se preocupam com a testosterona baixa, eu digo que os endocrinologistas se preocupam é mesmo com a testosterona alta nas mulheres.

Claro que tem toda uma questão sobre os hormônios, principalmente da testosterona, sobre o desejo sexual tanto no homem como na mulher. Os hormônios contribuem para uma parte do desejo, outra parte fica por conta de questões psicológicas, de relacionamento, pandêmicas etc, etc, etc.

Profissionais como endocrinologistas e ginecologistas são muito procurados para questões de libido para que chequemos os hormônios, mas os sexólogos podem ser de grande valor quando o assunto é libido.

E o que a pílula tem a ver com a testosterona?

Em um post do instagram sobre o uso de pílula para o “tratamento” de síndrome dos ovários policísticos, comentei que elas reduzem os hormônios que estimulam os ovários (FSH e LH).

Inibição do FSH e LH pelo uso da pílula combinada

Pois bem, reduzindo FSH e LH, as pílulas diminuem a produção dos andrógenos ovarianos e da própria testosterona. O estrógeno e o progestágeno da pílula repõem os hormônios ovarianos, mas não os andrógenos.

A inibição do FSH e LH inibe a cascata de produção de hormônios ovarianos.

A pílula aumenta a SHBG

Outro fato importante é que a pílula aumenta a proteína transportadora dos hormônios sexuais, a SHBG. Com isso, a fração livre da testosterona é reduzida e evidenciamos o efeito dessa redução na melhora da pele, na redução da queda de cabelos e, ocasionalmente na redução da libido sexual.

A pílula aumenta a SHBG e reduz a fração livre do hormônio masculino. Menos hormônio livre, menos efeito sobre o receptor.

Sendo assim, não se assuste e não se convença que você precisa usar testosterona quando usa enquanto você estiver tomando pílula. Teoricamente, não faz sentido dosar FSH, LH, andrógenos e testosterona (total ou livre) se você usa anticoncepcional para evitar gravidez. Se você usa anticoncepcional para minimizar os sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos é outra história.

Mais uma vez, cada mulher deve escolher o método contraceptivo que mais lhe faça sentido. Se houve redução do desejo sexual pelo uso da pílula, podemos lembrar que existem outros métodos contraceptivos e sua substituição pode ser pensada.

Referência

The effects of oral contraceptives on well-being and sexuality. Bancroft J, Sartorius N. The effects of oral contraceptives on well-being and sexuality. Oxf Rev Reprod Biol. 1990;12:57-92. PMID: 2075004.

Post do instagram

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