CBAEM 2025

Os alunos da liga de endocrinologia da Uninove Mauá apresentaram esse post. Orgulho da orientadora!

1115652 SÍNDROME DE HASHI-GRAVES APÓS 10 ANOS DE DIAGNÓSTICO DE HIPOTIREOIDISMO: RELATO DE CASO

Rafaela Queiroz Carvalho Soares¹; Paula Suelen Abrami Silva¹; Davi Abreu Silva¹; Willian de Jesus Andrade¹; Luiza Nogueira de Souza Paz¹; Bárbara Fernandes Dias dos Santos¹; Beatriz da Silva Amaral¹; Amanda Laryssa Moreira Padovani¹; Suzana Maria de Souza Vieira¹

¹Universidade Nove de Julho (UNINOVE), Mauá, SP, Brasil.

Apresentação do caso: Uma mulher de 67 anos, residente em São Paulo, buscou atendimento médico em dezembro de 2024, relatando desconforto devido a seus olhos estarem “saltados e vermelhos”. Seis meses antes, ela havia experimentado perda de peso, taquicardia, pressão arterial elevada, intolerância ao calor e exoftalmia bilateral, juntamente com eritema na região anterior de suas pernas. Ela tinha um histórico de 10 anos de hipotireoidismo, bem controlado com levotiroxina 75 mcg diária. A paciente também tinha um histórico de tabagismo (10 cigarros por dia). Na época do início dos sintomas, exames laboratoriais revelaram tireotoxicose, que persistiu mesmo após a interrupção da levotiroxina, descartando a tireotoxicose iatrogênica (causada pelo medicamento). Os níveis de TRAb foram solicitados e encontrados elevados (77 U/L). Uma ultrassonografia da tireoide mostrou aumento da vascularização no Doppler sem nódulos (volume: 7,5 cc), apoiando o diagnóstico de doença de Graves. O metimazol foi iniciado na dose de 5 a 10 mg por dia. Após quatro meses, a paciente demonstrou melhora clínica e redução parcial nos níveis de T4 livre (1,2–1,9 ng/dL), embora os níveis de TRAb tenham permanecido elevados (77 U/L). A paciente relatou uma leve melhora nos sintomas oftalmológicos.

Discussão: A síndrome de Hashi-Graves representa uma rara transição entre a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves: duas condições autoimunes com mecanismos opostos, mas com uma base genética compartilhada. Essa transição envolve uma mudança no perfil de autoanticorpos, com a predominância de anticorpos estimuladores da tireoide (TSI) em relação aos anticorpos bloqueadores. Essa mudança pode ser desencadeada por infecções, alterações hormonais ou tabagismo. Takasu et al. relataram que aproximadamente 5% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto podem progredir para a doença de Graves, muitas vezes precedida por uma elevação nos níveis de TRAb, como observado neste caso. O tratamento com metimazol foi eficaz no controle do hipertireoidismo; no entanto, a elevação persistente do TRAb sugere um risco de recidiva. A cessação do tabagismo foi encorajada para ajudar no controle da doença ocular da tireoide.

Comentários finais: Este caso ilustra uma apresentação rara da síndrome de Hashi-Graves mesmo após 10 anos de hipotireoidismo. A transição do hipotireoidismo para o hipertireoidismo requer atenção redobrada, especialmente em pacientes que usam levotiroxina, nos quais a tireotoxicose pode ser mal interpretada como um efeito iatrogênico.

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Endocrinologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Doutora em Ciências pela USP, Professora do curso de Medicina da uninove campus Mauá