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Tomar antidepressivo é para os fracos? Depressão existe ou é “frescura”?

Embora alguns pensem assim, tomar antidepressivo não é coisa de pessoas fracas e depressão não é “frescura”, como mostro neste artigo. A depressão é um transtorno que mostra a complexidade da psicologia humana e a sua relação com o biológico.

Assim sendo, pacientes com depressão podem ter alterações claramente biológicas, como desequilíbrio de neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação entre neurônios), inflamação, ativação imunológica, estresse oxidativo e diminuição de regiões cerebrais (Leonard & Maes, 2012; Koolschijn e cols., 2009). Esta última alteração se dá em regiões do cérebro responsáveis pelo processamento de emoções e regulação de estresse, como o hipocampo. Muito provavelmente, as regiões cerebrais não estão diminuídas por uma redução do número de neurônios. A hipótese mais plausível é que haja uma diminuição das sinapses, que são as conexões entre os neurônios (Czéh e Lucassen, 2007).*

Complementando os estudos que sugerem diminuição de sinapses na depressão, há evidência de que os antidepressivos aumentem o número dessas sinapses. Os antidepressivos aumentam a proliferação de vasos sanguíneos e a vascularização de uma região do cérebro chamada hipocampo (Boldrini e cols., 2012). Esse é possivelmente um primeiro passo, que leva ao aumento dos níveis de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF); o aumento de BDNF após uso de antidepressivos foi relatado por muitos estudos (Gonul e cols., 2005). O BDNF por fim, atua proliferando as conexões neuronais (Park e Poo, 2013).

Portanto, as evidências dos estudos em depressão e o seu tratamento apontam para uma grande complexidade biológica e enfraquecem a hipótese de uma “fraqueza” pessoal.

*Esta capacidade de modificação das sinapses, chamada neuroplasticidade é discutida no começo do meu artigo neste link (em inglês).

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Obesidade, Outros temas

Avaliação da composição corporal por bioimpedância

Como se mede quantidade de gordura e músculo no corpo

A oposição à passagem de uma pequena corrente elétrica (impedância) ao longo dos tecidos do corpo é o princípio do exames de bioimpedância para avaliação da composição corporal. Sabe-se que a corrente elétrica é melhor pelos íons contidos nos fluidos. A partir desse princípio, é possível determinar a quantidade de água corporal, que é a percentagem de fluidos no corpo e geralmente é indicada em porcentagem.

Tecidos que tenham mais água e íons na sua composição, como o músculo e sangue, oferecem menor resistência (menor impedância) à passagem da corrente elétrica, o mesmo não acontece com os tecidos adiposo, pele e ossos.

Por esse princípio, o composição corporal é dividida em dois componentes:

  • massa livre de gordura, ou massa magra: inclui músculos, ossos, pele
  • massa gorda  (total menos massa magra)

Há também de se considerar que a massa muscular inclui diversos tipos de músculo:

  • músculo esquelético presente principalmente nos membros
  • outros tipos de músculo que compõem órgãos como o coração (cardíaco), intestino, aparelho respiratório etc (músculo liso) – presente principalmente no tronco

O músculo esquelético corresponde a aproximadamente 56,6% da massa magra.

Como o músculo é rico em água, um aumento de água corporal no exame de bioimpedância pode ser reflexo do aumento da massa muscular.

Outra informação útil que podem ser obtidas é o índice de sarcopenia, que é perda de musculatura esquelética dos membros (apendicular). A manutenção da massa magra é importante para qualidade de vida ao longo dos anos. O índice de sarcopenia é calculado dividindo-se a massa muscular dos quatro membros pela altura ao quadrado.

Outras informações estimadas pela bioimpedância:

Taxa metabólica basal – estimativa de quanto seria o gasto energético para manter as funções vitais do organismo em repouso. A taxa metabólica basal é diretamente proporcional ao peso e à quantidade de músculo.

Ingestão calórica diária – estima a necessidade energética (ingestão calórica) necessária para manter a taxa de metabolismo basal e gastos de atividade física. Em programas que visem redução do peso corporal, um valor menor diário deve ser utilizado para eventualmente programar uma dieta hipocalórica.

Idade Metabólica – o valor corresponde à taxa metabólica basal média de determinada idade cronológica. Se sua idade metabólica é maior do que sua atividade atual, é sinal que precisa que precisa melhora-la através de exercícios físicos que aumentem a massa muscular.

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Exemplo de resultado de análise de composição corporal com os diversos compartimentos: massa magra, massa gorda (adiposa), massa muscular, músculo esquelético e água corporal e índice de sarcopenia

Condições que modifiquem a quantidade de água no organismo podem subestimar ou superestimar a quantidade de massa magra e, consequentemente, massa gorda.

Os aparelhos tetrapolares (eletrodos para os quatro membros) permitem a avaliação da composição corporal por segmento: membros superiores, inferiores e tronco e oferecer mais informações, como índice de sarcopenia.

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Exemplo de bioimpedância tetrapolar

Como vimos, a quantidade de água medida é essencial para determinar a composição corporal. Portanto, alguns cuidados são necessários garantir um grau de hidratação normal e uma boa acurácia do resultado do exame, bem como evitar artefatos que modifiquem a velocidade da corrente elétrica, um preparo antes do exame torna-se necessário.

Quem não pode ou deve fazer o exame

  • Usuários de marcapasso ou outro aparelho elétrico implantado no corpo
  • Pessoas com com peças metálicas no corpo tais como placas e parafusos
  • Gravidez ou suspeita de gravidez

A avaliação sequencial da composição corporal é mais indicada que uma medida isolada. Os programas comercialmente disponíveis podem dar não só uma avaliação pontual, mas a evolução ao longo do tempo num programa de emagrecimento e também atividade física.

Conheça o preparo e agende um avaliação! 

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Os antidepressivos podem te deixar “feliz”, dependente ou “dopado”?

Abaixo respondo às perguntas mais comuns de quem está se questionando se deve ou não tomar antidepressivos!

– Os antidepressivos são drogas que te deixam “feliz”?

Não, o antidepressivo não é uma droga estimulante. O antidepressivo é muito diferente de um estimulante, de um tranquilizante, ou até mesmo drogas ilícitas (como a maconha e a cocaína). O antidepressivo não tem uma ação instantânea, de melhorar o humor minutos ou uma hora após a pessoa tomá-lo. A ação instantânea se dá com tranquilizantes, estimulantes ou com drogas ilícitas. Ao contrário, o que acontece é uma mudança gradual de neurotransmissores, hormônios e outras substâncias.

Por exemplo, além do conhecido efeito dos antidepressivos de aumentar a serotonina, há estudos mostrando uma certa ação anti-inflamatória dos antidepressivos da classe dos inibidores de recaptura de serotonina (Miller e cols., 2009). Esta ação têm a provável finalidade de normalizar as alterações de substâncias inflamatórias tipicamente presentes na depressão (Howren e cols, 2009).

– Vou ficar dependente do remédio?

Não há casos de dependência dos medicamentos antidepressivos comuns. Eles não tem a tarja preta, que está reservada aos medicamentos que podem causar dependência.

– O remédio é forte? Não vou ficar “dopado”?

Não, a maior parte dos antidepressivos não induz sono e geralmente os médicos sugerem que se tome pela manhã. Devido aos poucos e leves efeitos colaterais, os pacientes geralmente consideram os antidepressivos medicações “leves”.

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