Um vício é algo que é difícil uma pessoa livrar e que faz mal para saúde. Mente e corpo ficam dependentes da substância. Temos vários exemplos, como tabaco, álcool, drogas e até algumas medicações. Só que a insulina não faz nada disso e eu vou exemplificar porque as pessoas podem ter medo. Pode não passar de uma infeliz coicidência.
Insulina não vicia!
Se a insulina não veio na hora certa, foi porque a pessoa ficou com medo ou o médico demorou para prescrever. As injeções de insulina não são drogas, são reposições hormonais.
Tem gente que gosta tanto de uma reposição hormonal, de um hormônio bioidêntico. Eis que a insulina humana é um melhor exemplo.
A insulina não vicia, ela é necessária para o corpo.
A insulina não faz mal! Muito pelo contrário, se bem indicada faz um bem danado para evitar complicações do diabetes.
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Qual o melhor exercício para osteoporose e osteopenia?
O melhor exercício é aquele que a pessoa consegue fazer. Certamente, existem exercícios que são melhores para o coração e os vasos, outros para o músculo e para os ossos. O melhor dos mundos é a combinação dos dois.
Osteócitos têm mecanoceptores, que são receptores que detectam carga mecânica. Em outras palavras, a gravidade, a contração muscular promove estímulo sobre as células ósseas, que transformam esse estímulo mecânico em secreção de substâncias que promovem formação óssea.
Quando eu falo nisso, sempre penso nos astronautas, que perdem muito osso e músculo enquanto estão no espaço pela ausência de gravidade.
Os melhores exercícios para os ossos são aqueles com impacto, tipo corrida, pular, ginástica.
Os menos efetivos são aqueles que minimizam a força da gravidade, como ciclismo e atividades na água, como natação e hidroginástica. Mesmo esses últimos, têm alguma ação na formação do osso do que não fazer nada.
Na tabela, estão os exercícios que são mais osteogênicos e menos osteogênicos. Osteogênico é o termo para estímulo à formação óssea.
Exercícios altamente osteogênicos
Pular corda
Basquete
Tênis
Ginástica
Aeróbicos com impacto
Moderadamente osteogênicos
Corridas
Treinos de resistência
Subir escadas
Pouco osteogênicos
Caminhadas
Pilates
Yoga
Tai chi
Quase nada osteogênicos (mas ainda tem um pouco)
Natação
Hidroginástica
Ciclismo
Por último, mas não menos importante: não esqueça de fazer uma avaliação médica antes de iniciar uma atividade fisica para a sua condição cardiovasculare e não sobrecarregar suas articulações.
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Eu espero que aqui não chegue a tal crise pelo abuso de opioides que acometeu a terra do Tio Sam. O uso de opioide aumentou nas últimas décadas em vários países. Apesar do seu uso ter reduzido nos EUA no começo da última década, a mortalidade cresceu muito naquele país. Aqui no Brasil, de 2009 a 2015, o consumo de opioides cresceu quase cinco vezes!! (1).
Todo esse alarme foi antes do início pandemia de covid-19, mas acho que as coisas não devem ter melhorado muito. De certa forma, é bom a gente saber que os opioides ou opiáceos mexem com os hormônios também.
O primeiro registro do uso de ópio foi datado cerca de 4.000 anos antes da era cristã. Ele é obtido a partir da Papaver somniferum, um tipo de papoula. A morfina deu origem a vários compostos, os quais veremos a seguir.
Tabela 1. Tipos de opioides mais comumente prescritos
Na medicina, os opioides foram usados inicialmente como analgésicos. Outros tipos de opioides, como a codeína, morfina e metadona, são utilizados para controle da tosse em pacientes com câncer de pulmão. Já a loperamida e a codeína são usadas primariamente para controle da diarreia e síndrome do cólon irritável. Finalmente, a heroína é utilizada como droga recreativa devido aos seus efeitos estimulantes. Certamente, você já ouviu falar de algum deles ou até tomou algum para outro motivo que não tratamento de dor.
Os opioides causam distúrbios em três sistemas na endocrinologia:
Hipotálamo-hipófise-gonadal (ovários e testículos)
Hipotálamo-hipófise-adrenal
Prolactina
Em todos os pacientes que estejam em uso de corticoide, devemos questionar sobre sintomas nessas três esferas (2).
Figura 1. Investigação inicial do paciente em uso de opiáceos
A deficiência dos hormônios sexuais, também chamada de hipogonadismo, é talvez o efeito mais conhecido dos opioides sobre o sistema endócrino.
Muitos hormônios são liberados de forma cíclica em pulsos. O hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH) é produzido no hipotálamo e estimula a liberação de LH (hormônio luteinizante) e em menor grau o FSH (hormônio folículo estimulante). Essas gonadotrofinas estimulam a produção de estrógeno e testosterona, respectivamente, pelos ovários ou testículos. Pode ser que os opioides tenham efeitos diretos sobre os testículos.
O uso a longo prazo (pelo menos um mês) tem efeitos na redução da testosterona em homens.
Um estudo mostrou em mulheres de 18 a 55 anos, o uso de opioides por um tempo maior que três meses foi associado a risco maior de parada da menstruação (amenorreia) e menopausa. Há de se considerar que os pacientes com dor crônica, a presença de outras doenças e medicações e a idade do paciente pode contribuir para a irregularidade menstrual.
Como um ciclo vicioso, as várias consequências do hipogonadismo, incluindo disfunção erétil, impotência, redução da massa muscular em homens; redução dos ciclos menstruais (oligomenorreia) ou cessação dos ciclos (amenorreia) em mulheres; e redução da libido, infertilidade, perda de massa óssea e depressão em ambos os sexos, também podem contribuir para o controle inadequado da dor.
O tratamento para essa complicação, tanto em homens como mulheres, é descontinuar ou reduzir a dose de opiáceos. Se isso não for possível, considerar a reposição dos hormônios sexuais.
Figura 2. Manejo do hipogonadismo hipogonadotrófico secundário ao uso de opioides
Sobre as adrenais, os efeitos dos opioides são menos claros. Essa adrenal é sempre misteriosa!
Os opioides inibem o hormônio hipotalâmico liberador da corticotrofina (CRH) que estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e, por sua vez, o cortisol pela adrenal. Parece que também há um efeito direto do opioide sobre a própria adrenal.
O uso por curto período ou prolongadamente podem inibir o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Para o diagnóstico desse tipo de insuficiência adrenal secundária pode ser necessário o uso de testes de estímulo como o da cortrosina e de tolerância a insulina. Como sempre, a interpretação dos níveis de cortisol deve ser feita considerando se a pessoa está também em uso de corticoides.
A redução da dose ou suspenção do opioide melhora ou restaura a função desse eixo.
Dúvidas existem se a reposição de corticoide de forma rotineira deve ser feita. Após a suspensão da medicação, a recuperação da adrenal deve ser avaliada com dosagens de cortisol no sangue no período da manhã de forma periódica.
Figura 3. Manejo da insuficiência adrenal causada por opioide
Os opioides estimulam a liberação da prolactina provavelmente por inibição da dopamina. O aumento da prolactina, por sua vez, pode piorar o quadro de hipogonadismo.
Figura 4. Ação dos opioides sobre o hipotálamo e a hipófise, resultando no aumento da prolactina e redução dos gonadotrofinas. Modificado de Wehbeh e col (3)
A redução, descontinuação ou troca do opioide são estratégias sugeridas para redução da prolactina.
Para saber mais sobre a prolactina, tem várias publicações aqui no blog.
Figura 5. Tratamento da hiperprolactinemia induzida por opioides
Os prováveis efeitos negativos dos opioides sobre a densidade mineral óssea são pela ação indireta, por conta do hipogonadismo, e diretamente pelo efeito na remodelação óssea. Essas medicações são associadas a maior risco de fratura também por conta dos seus efeitos sedativos que predispõem a quedas.
Além da avaliação hormonal dos eixos anteriormente mencionados, a avaliação do paciente em uso crônico de opioides deve incluir o exame de densitometria óssea.
Os efeitos dos opioides são mais bem documentados sobre a redução dos hormônios sexuais (hipogonadismo). A insuficiência adrenal também foi documentada, tanto em uso de curto prazo e longo prazo. Os efeitos sobre os ossos não devem ser esquecidos.
O aumento da prolactina com o uso de opioide é mais bem estabelecido, mas não há dados concretos sobre os outros eixos em que a hipófise está envolvida, como o da tireoide, hormônio do crescimento e ocitocina.
Agora, imagina se Dr. House fosse paciente! Certamente, ele teria que fazer uma avaliação hormonal e óssea. Brincadeiras à parte, o uso de opioide deve ser muito, mas muito criterioso por conta dos efeitos no sistema endócrino e muitos outros mais.
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Endocrinologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Doutora em Ciências pela USP, Professora do curso de Medicina da uninove campus Mauá
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