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Círculo azul e diabetes: origem e significado do símbolo

Quem já não viu o círculo azul nas campanhas do diabetes, em pins e mesmo em tatuagens que pessoas com diabetes?

No mês de novembro, o azul da luta contra o diabetes pode se confundir com o azul da prevenção do câncer de próstata. O diagnóstico precoce do câncer de próstata tem suas controvérsias, bem como o de mama e tireoide, mas os impactos causados pelo diabetes não controlado são indubitáveis para os pessoas e para saúde pública.

Como endocrinologista, não tenho como defender um azul diferente que não o do diabetes. Na verdade, até que precisamos de um mês “transparente” (acho que o branco já foi nomeado para algum mês) para não pensarmos em doenças. Mas como médica e cidadã, não posso ignorar a doença tão prevalente que está presente no meu dia a dia por algumas horas, e pelas 24h dos meu pacientes e amigos “docinhos”. Então, resolvi aderir à essa campanha trazendo um pouco de história além de todo material já publicado nesse blog sobre o assunto.

O dia 14 de novembro foi escolhido para “World Diabetes Day” ou “Dia Mundial do Diabetes”, cuja história da escolha desse dia está na postagem anterior. Agora, trago a história do círculo azul, traduzida livremente International Diabetes Federation (IDF), que diz:

Sobre o círculo azul para o diabetes

O círculo azul é o símbolo universal do diabetes. O objetivo principal do símbolo é fornecer ao diabetes uma identidade comum.

Tem como objetivos adicionais:

  • apoiar todos os esforços existentes para aumentar a conscientização sobre o diabetes;
  • inspirar novas atividades, chamar a atenção do público em geral para o diabetes;
  • servir como uma “marca” para o diabetes;
  • fornecer um meio de mostrar apoio à luta contra o diabetes.

O ícone foi desenvolvido originalmente para a campanha que resultou na Resolução 61/225 das Nações Unidas “Dia Mundial do Diabetes”, aprovada em 20 de dezembro de 2006.

A campanha para uma resolução das Nações Unidas sobre diabetes foi uma resposta à pandemia capaz de sobrecarregar os recursos de assistência médica em todos os lugares.

Por que um círculo?

O círculo ocorre frequentemente na natureza e, portanto, tem sido amplamente empregado desde os primórdios da humanidade. O seu significado é fortemente positivo. Entre diversas culturas, o círculo simboliza vida e saúde. Mais especificamente para a campanha, o círculo representa a unidade.

A força combinada é o elemento chave que tornou essa campanha tão especial. A comunidade global do diabetes  se uniu para apoiar uma resolução das Nações Unidas sobre diabetes e precisa permanecer unido para fazer a diferença. Como todos sabemos: não fazer nada é não é mais uma opção.

Porque azul?

A borda azul do círculo reflete a cor do céu e a bandeira das Nações Unidas. As Nações Unidas são em si um símbolo de unidade entre as nações e é a única organização que pode sinalizar aos governos em todos os lugares que é hora de combater o diabetes para reverter as tendências globais que poderão impedir o desenvolvimento econômico além de poder causar sofrimento e morte prematura.”

Reflexões pessoais

Prevenir o diabetes tipo 2 não é só no diagnóstico precoce. Como já falado antes, precisamos de políticas públicas e também de iniciativas individuais para que a doença não se manifeste ou tenham um melhor controle. Para essas últimas iniciativas não existe mês específico, deve ser o ano todo.

Quanto ao diabetes tipo 1, que não tem ainda prevenção, a luta inclui o acesso ao tratamento adequado para todos os pacientes, educação em diabetes e todo apoio necessário como aces a equipe multidisciplinar em linhas cuidado especificas, dentre tantas outras coisas que aqui talvez não consiga listar por não ser o meu lugar de fala como de uma pessoa com diabetes tipo 1 ou de seu familiar.

Por fim, não sei exatamente quando foi que comecei a me interessar pela doença. Pode ser que seja por ter visto e ainda ver alguns familiares com a doença, ou a ache tão intrigante que a escolhi como tema para o meu doutorado pesquisas em diabetes tipo 1 – embora a genética não seja única resposta no desenvolvimento das complicações. Pode ser ainda que o interesse se mantenha pelas novidades terapêuticas e tecnológicas constantes que envolve o manejo do diabetes… quem sabe? Mas uma dúvida eu não tenho: ao longo desses anos, encontrei muitas pessoas com diabetes que lutam pela causa e pelas quais eu tenho profundo admiração e que espero contribuir com a minha visão de profissional a popularização do conhecimento através desse blog.

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Por que o meu blog fala tanto sobre exames?

Esse é um dos poucos textos, ou melhor, o primeiro post que escrevo em primeira pessoa. Nele, tento compartilhar os motivos que me levam a escrever sobre exames complementares.

Em 2015, o retorno à assistência após um período de afastamento por mudanças de trabalho trouxe-me certa apreensão. Eu me perguntava:

Conseguirei recuperar as informações que havia perdido durante o tempo que fiquei mais distante do consultório ou ambulatório?

Como compensar a rapidez da informação, a quantidade de novas publicações científicas, o avanço das novas tecnologias?

Os atendimentos de muitos novos pacientes (no serviço público ou privado) para uma nova consulta em endocrinologia, acompanhamento de um problema já diagnosticado pelo colega que me antecedeu ou ainda uma segunda opinião foram acompanhados quase sempre de uma “tarefa de casa” –  entender a bateria de exames que o paciente já trazia consigo e ser atual e racional nas minhas requisições de exames.

No setor privado, principalmente, os pacientes já tinham passado por vários médicos para um check up: ginecologista, cardiologista, dermatologista, raramente um generalista. Para minha surpresa, descobri também que o endocrinologista também era consultado para checar se estava tudo bem, pois as pessoas nunca tinham passado por um e achavam que deveriam fazê-lo. Razões para essa fragmentação do cuidado existem várias, o que foge ao objetivo desse texto.

Frequentemente, o exame alterado e não propriamente uma suspeita de uma doença ou um diagnóstico que requeresse um especialista era o motivo da consulta. Esses e outros outros resultados de exames solicitados como rotina me foram desafiadores. Casos de nódulos de tiroide incidentalmente encontrados, deficiência de vitamina D, aumento de ferritina, testosterona, SHBG, densitometria óssea em mulheres na pré-menopausa são alguns temas frutos dos exames trazidos a mim durante a consulta.

As “tarefas de casa” frutificaram como textos para o blog atual. Serviram para esclarecer minhas dúvidas ou mesmo tentar formar uma opinião sobre assuntos controversos no passado em certa época. Atualmente, os textos servem para complementar conversas com meus pacientes e expandir o conhecimento para outras pessoas que não são da área médica. Adicionalmente, espero contribuir com temas da endocrinologia com colegas que não são da especialidade.

Os exames complementares são ferramentas valiosas, principalmente para a minha especialidade, mas a solicitação deles deve ser forma racional. Como o próprio termo diz, os exames são complementares: complementares à anamnese e exame físico do médico à formulação de um diagnóstico, prognóstico, estadiamento de uma doença; ao estabelecimento, monitoramento e modificação de um tratamento.

Na verdade, um dos grandes desafios para uma gama de médicos, nos quais me incluo, é de não pedir muitos exames sob o risco de serem julgados como pouco cuidadosos ou competentes quando comparados a seus pares que a lista de exames é extensa. Grande quantidade de exames não são sinal de boa medicina, muito pelo contrário. A boa medicina se baseia no uso racional dos exames complementares.

Não faz muito tempo que assisti a uma apresentação antiga no tempo, mas ainda muito atual sobre a prática médica, a qual deixo aqui como sugestão. Nela, o Dr. Verguese fala da importância do exame físico do paciente.

Outra sugestão de leitura para reflexão é do movimento Slow Medicine e Choosing Wisely, que convida a uma medicina sem pressa e racional.

Desde o retorno mais intensivo à assistência, as apreensões sobre novos exames, novos medicamentos, novos tratamentos foram se dissipando. Os diagnósticos mais simples continuam sendo o comum, os diagnósticos raros continua sendo o incomum. As pessoas continuam ou deveriam ser o objeto do cuidado médico e não somente os exames que elas portam.

Sobre

Links adicionais:

https://academiamedica.com.br/blog/exames-complementares-na-medicina

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