Tireoide

Tiroidite de Hashimoto, Doença de Graves e anticorpos contra tiroide

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anticorpos-contra-tiroideTem sido cada vez mais frequente em exames solicitados como “rotina” resultados de função tiroidiana, representados pelos exames de TSH e T4 livre, acompanhados os anticorpos contra tiroide na primeira “bateria” de exames.

Em muitos casos, os auto-anticorpos não foram solicitados diante de alterações nos exames que avaliam se a tiroide está funcionando normalmente ou não (TSH e T4livre) ou se a tiroide está aumentada de tamanho (bócio). Assim, um grande número de pacientes chega ao endocrinologista com os resultados de anticorpos positivos e função tiroidiana e ultrassonografia de tiroide normais.

Qual seria a importância e quando solicitar esses anticorpos?

De fato, a doença autoimune da tiroide é apontada como a doença autoimune mais comum, atingindo cerca de 2% das mulheres e 0,2% dos homens na sua forma clínica. A sua forma mais leve quando os sintomas ou sinais não estão claramente presentes, denominada de “subclínica” pode atingir até um número de dez vezes maior em relação às formas clínicas. Há uma forte evidência de predisposição genética dessas doenças, afetando vários membros da mesma família.

Porém, existem casos de hipotireoidismo e hipertiroidismo que não são autoimunes, e os anticorpos ajudam principalmente em saber qual a causa das dessas disfunções.

As doenças autoimunes da tiroide são a Tiroidite de Hashimoto e a Doença de Graves.

Na Tiroidite de Hashimoto, o principal anticorpo envolvido é o antitireoperoxidase ou anti-TPO, presente em 95% dos casos. O anticorpo antireoglobulina ou anti-TG pode ser positivo em 80% dos casos de tireoidite de Hashimoto, entretanto pode estar presente também 11% da população geral, isto é, e quando positivo não significa que o paciente tenha ou desenvolverá a doença.

Os anticorpos antirreceptor do TSH (TRAb) competem o hormônio TSH produzido pela hipófise na ligação com o seu receptor na tiroide. Os anticorpos podem tanto mimetizar ou bloquear a atuação do TSH. Quando os anticorpos estimulam muito a tiroide, há formação de bócio (aumento do volume da tiroide) e aumento da produção de hormônios tiroidianos, caracterizando a Doença de Graves. Em alguns casos, os anticorpos podem passar a placenta e estimular a tiroide do feto, mesmo que a mãe não tenha mais hipertiroidismo.

Há uma antiga discussão se a positividade dos anticorpos antitiroidianos devem ser levados em consideração para o tratamento medicamentoso antes da evolução para as alterações na função da tiroide. De uma forma geral, os anticorpos só devem ser solicitados após exames alterados da tiroide.

Indicações para requisição dos autoanticorpos contra tiroide

ANTICORPO CONTRA TIREOPEROXIDASE (anti-TPO)

Situações indicadas:

  • Pacientes que tenham persistentemente um TSH acima do limite de referência com um T4 livre normal;
  • Pacientes com bócio (aumento do volume da tiroide), independente da função tiroidiana;
  • Casos novos de hipotireoidismo primário (por falência da tiroide);
  • Casos novos de tireotoxicose, uma crise de hipertiroidismo, que pode ser resultado de destruição da glandular maciça
  • Predição de tireoidite pós-parto em mulheres com maior risco (doença de tiroide prévia ou na família de problemas da tiroide, outra doença autoimune – ex diabetes tipo 1)

Situações em que não há indicação:

  • Se os testes de função tiroidiana (TSH e T4 livre) são normais e o paciente não tem bócio
  • Quando não há conhecimento dos testes de função tiroidiana
  • Se os anticorpos já foram solicitados anteriormente

ANTICORPO CONTRA TIREOGLOBULINA (Anti-TG)

Situação indicada:

  • Para avaliar o risco de interferência laboratorial na dosagem de tireoglobulina no acompanhamento de câncer de tiroide

ANTICORPO ANTIRECEPTOR DE TSH (TRAb)

Situações indicadas:

  • Predizer o risco de hipertiroidismo pré-natal em pacientes que tenham tido o diagnóstico de Doença de Graves na tireotoxicose pós-parto
  • Diferenciar tireoidite pós-parto de Doença de Graves

Em conclusão, os anticorpos contra tiroide só devem ser solicitados frente a exames de função tiroidiana alterados (principalmente o TSH). Para os casos nos quais foram solicitados anticorpos e esses vieram positivos, mas com função tiroidiana normal numa primeira avaliação, deve-se acompanhar a função tiroidiana periodicamente. O tratamento medicamentoso deve ser feito apenas quando há alteração nos exames de função tiroidiana.

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Referência:

SINCLAIR, D. Clinical and laboratory aspects of thyroid autoantibodies. Ann Clin Biochem, v. 43, n. Pt 3, p. 173-83, May 2006. ISSN 0004-5632. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16704751 >.

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