Por que tantas pessoas têm nódulo na tireoide?

Um desconforto na garganta ou no pescoço pode ser motivo para que muitos médicos peçam um exame de ultrassonografia de tireoide. Mesmo sem que o paciente tenha queixas, é também comum que esse exame seja solicitado rotineiramente por profissionais das mais diversas especialidades.

Se a ultrassonografia detectar um nódulo, não se desespere! Frequentemente, não é necessário fazer nada.

O que é um nódulo de tireoide?

O nódulo tireoidiano é uma lesão dentro da glândula tireoide que é radiologicamente diferente do restante do tecido que a envolve.

O nódulo de tireoide pode ser palpável ao exame físico ou não. E nem todo nódulo no pescoço é da tireoide. Alguns nódulos cervicais podem estar relacionados a outras estruturas como, por exemplo, os gânglios linfáticos, muito comuns durante uma infecção de garganta. Muitas pessoas se enganam sobre o correto local da tireóide.

Por que aumentou o número de pessoas com nódulo de tireoide?

A descoberta é maior por conta do exagero de exames. Por isso, não devemos estimular a procura do nódulo na população geral, mas essa tem sido uma prática comum.

Os nódulos podem ser palpáveis em aproximadamente 5% das mulheres e 1% dos homens nas áreas geográficas em que não há deficiência de iodo. Entretanto, os nódulos de tireoide podem ser detectados por ultrassonografia em 19% a 68% dos pacientes examinados aleatoriamente, com maiores frequências em mulheres e pessoas mais idosas. Em outras palavras, o ultrassom aumentou e muito a frequência dessas lesões que passariam despercebidas.

Ao investigar algum problema não relacionado à tireoide em exames de imagem, podemos nos deparar com um nódulo de tireoide; ou seja, alguns nódulos são descobertos totalmente ao acaso (ou incidentalmente).

A estes nódulos descobertos “sem querer” damos o nome de incidentalomas. Encontrar incidentalomas é cada vez mais comum em programas de “check up” de diversos médicos.

Os incidentalomas de tireoide são bastante comuns quando, por exemplo, o ultrassom foi direcionado para as artérias carótidas e acabou por visualizar (ao acaso) um nódulo na tireoide. Nesse exemplo, um ultrassom próprio para a glândula tireoide deve ser solicitado para definir melhor a estrutura do nódulo.

Descobri um nódulo de tireoide, e agora?

Todo nódulo deve ser puncionado? A resposta é não. A importância da avaliação do nódulo de tireoide recai sobre a possibilidade de ser um câncer.

A grande maioria dos nódulos de tireóide têm baixo risco de serem malignos e muitos cânceres de tireoide têm um risco mínimo sobre a saúde. Além disso, os cânceres de tireóide podem ser tratados com ótimas chances de cura.

O excesso de diagnóstico ao ultrassom (que chamamos de sobrediagnóstico), quando comparado ao exame físico, tem causado um excesso paralelo do aumento da descoberta de nódulos de tireoide e, consequentemente, do diagnóstico de câncer.

Entretanto, o aumento do diagnóstico de câncer de tireoide não é acompanhado de redução da mortalidade e muito tem se discutido sobre o real benefício do rastreamento dos nódulos de tireoide. Em outras palavras, a detecção e o tratamento precoces do câncer de tireoide não fazem a pessoa viver mais.

O que fazer antes de decidir pela punção

Em adultos, ao se diagnosticar um nódulo de tireoide, deve ser avaliada a função da glândula, isto é, se os níveis de hormônios tireoidianos no sangue estão normais. Como visto num post anterior, o hormônio tireoestimulante (TSH) é o primeiro a se alterar quando há alteração nos níveis de hormônio produzidos pela tireoide (T3 e T4). 

Se os níveis do hormônio TSH estiverem normais ou elevados (que sugere hipotireoidismo), o segundo passo é avaliar as características do nódulo à ultrassonografia para prosseguir ou não a investigação de câncer de tireoide através da punção do nódulo. Um nódulo que produz muito hormônio e reduz a quantidade de TSH no sangue, não precisa ser puncionado.

“Lesões inocentes” e lesões suspeitas

Algumas características são ligadas ao maior risco de que o nódulo seja um carcionoma. Ao ultrassom, características anatômicas devem ser consideradas para realizar a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), tais como: presença de microcalcificaçõescontornos do nódulo, ecogenicidade (brilho em relação ao tecido tireoidiano normal), tamanho etc.

Por exemplo, os cistos, que são as lesões que têm apenas líquido no seu interior, são benignos por natureza e não devem ser puncionados para investigação de câncer, ainda que possam ser puncionados para esvaziar o líquido.

Já nódulos mais escuros do que o restante do tecido tireoidiano (hipoecoicos) com uma ou mais de outra característica (tais como contornos irregulares, contendo microcalcificações, entre outras), são considerados de alta suspeita para câncer e, a depender do tamanho, devem ser puncionados.

Qual nódulo que deve ser puncionado?

De uma forma geral, apenas nódulos maiores do que 1,0 cm (um centímetro) são candidatos para punção. Porém, nem todos os nódulos desse tamanho precisam ser puncionados.

Conforme o grau de suspeita, os limites de tamanho do nódulo para indicar punção podem variar, podendo chegar até 2,5 cm (dois centímetros e meio).

Existem duas principais classificações para orientar quais nódulos devem ser submetidos à punção (PAAF), que também colocam limites um pouco diferentes para indicação da punção. A classificação da Associação Americana de Tireoide (ATA) e o Thyroid Imaging Reporting and Data System [TI-RADS]. Veja no post relacionado como essas classificações ajudam a guiar a decisão de solicitar a punção dos nódulos.

Referência

 HAUGEN, B. R. et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer: The American Thyroid Association Guidelines Task Force on Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid, v. 26, n. 1, p. 1-133, Jan 2016. ISSN 1557-907 (em inglês). doi: 10.1089/thy.2015.0020

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