Obesidade

Qual a relação entre obesidade e câncer de mama?

O outubro rosa é mês de luta contra o câncer de mama e que tem, no seu 11o dia, o dia mundial contra obesidade. Mas qual a relação entre essas duas doenças?

Após a menopausa, quando os ovários param de produzir hormônios (estrógeno e progesterona), a gordura se torna a fonte mais importante de estrógeno. Devido ao fato das mulheres obesas terem mais gordura corporal, seus níveis de estrógeno são mais altos, o que pode levar a um crescimento mais rápido de tumores de mama que têm receptores para estrógeno.

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Mecanismo proposto para aumento do risco de câncer de mama e endométrio na obesidade

O tecido gorduroso produz as enzimas aromotase e 17β-hidroxiesteróide desidrogenase (17β-HSD). Em indivíduos obesos, há  uma conversão aumentada dos andrógenos Δ4-androstenediona (Δ4A) e testosterona (T) nos estrogénos estrona (E1) e estradiol (E2), respectivamente, pela aromatase. A 17β-HSD converte os hormônios menos biologicamente ativos Δ4A e E1 nos hormônios mais ativos T e E2, respectivamente. Paralelamente, a obesidade leva à hiperinsulinemia secundária à resistência à ação da insulina, que por sua vez causa uma redução na síntese hepática e nos níveis circulantes de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). O efeito combinado do aumento da formação de estrona e testosterona, juntamente com níveis reduzidos de SHBG, leva a um aumento nas frações biodisponíveis  ou livres de E2 e T que podem se difundir para células-alvo, onde se ligam a receptores de estrogênio e andrógeno. Os efeitos dos esteroides sexuais ligando seus receptores podem variar, dependendo dos tipos de tecido, mas em alguns tecidos (por exemplo, epitélio mamário e endométrio) eles promovem a proliferação celular e inibem a apoptose (morte celular). Fig1

Muitos estudos têm mostrado que sobrepeso e obesidade estão associados com um  aumento de risco de câncer de mama na pós menopausa. Esse aumento do risco é principalmente visto em mulheres que nunca fizeram terapia de reposição hormonal e  para tumores que tem receptores para os hormônios estrógeno e progesterona. Essa mulheres têm história de ganho de peso na vida adulta (entre 18 e 50 a 60 anos).

O obesidade pode causar de 7 a 15% dos cânceres de mama:
– O aumento de 2 a 10 kg após a idade de 50 anos, aumenta o risco de câncer de mama em 30%
– O ganho de 25kg após os 18 anos aumentam o risco de câncer de mama em 45%.

A perda de peso pode ter um efeito positivo na diminuição do risco de câncer.  Há estudos que avaliaram os biomarcadores modificáveis com a perda de peso. Redução significante de estradiol (E2) é vista com a redução de peso, de forma inversa, a SHGB aumenta. Isso resulta em considerável redução do estradiol livre mesmo com uma modesta perda de peso.

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Mecanismo pelo qual a perda de peso levaria à redução do risco de câncer de mama

Apesar das campanhas maciças para o rastreamento de câncer de mama, é válido reforçar que a decisão de fazer a mamografia deve ser compartilhada entre médico e paciente. Sem dúvida, mais do que a realização de um exame, a prevenção passa por hábitos de vida saudáveis e controle do peso.

Atualizado em 02/10/18

Referências

 

 

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