Temas gerais em endocrinologia, Tireoide

Hormônios ligados e livres

Endocrinologia é o estudo das ações dos hormônios no organismo. Os hormônios são substâncias liberadas pelas glândulas endócrinas que podem agir em células próximas ou à distância. As glândulas endócrinas não tem ductos (canais) e liberam os hormônios diretamente na corrente sanguínea, diferente das glândulas exócrinas que liberam as substâncias por elas produzidas para o exterior do corpo ou para dentro de outro órgão.

Como exemplos de glândulas endócrinas, temos a hipófise, a tiroide, paratiroide, adrenal, e como exemplos de glândulas exócrinas, temos as glândulas sudoríparas (produzem o suor), as glândulas lacrimais. O pâncreas é um exemplo de glândula mista, produzindo hormônio como a insulina e o suco pancreático, que é liberado dentro intestino.

Quando caem na circulação sanguínea, os hormônios são transportados por proteínas carreadoras. A fração livre do hormônio liga-se a seu receptor na célula alvo para produzir seus efeitos ou serem destruídos.

proteinas-ligadoras

Há proteínas específicas para determinados hormônios, como os tiroidianos, sexuais e corticosteroides e outras proteínas que podem carrear hormônios de forma não preferencial. As principais proteínas carreadoras estão exemplificadas na tabela abaixo:

tabela-prot-ligadoras

No caso dos hormônios tiroidianos, aproximadamente 97,97%  do T4 estão ligados a proteínas plasmáticas, enquanto 99,7% do T3 estão carreados.  A principal proteína ligadora dos hormônios tiroidianos é a TBG. o conhecimento da variação da TBG é útil nos casos em que os hormônios tiroidianos totais estão altos e não há correlação com sinais e sintomas de hipertiroidismo. Exemplos comuns onde o T4 total está alto e TSH normal na ausência de hipertiroidismo ocorre na gravidez e no uso de pílulas contraceptivas, reposição de estrógeno. Aumento de TBG pode ser observada com andrógenos, anabolizantes, doses altas de corticoides, ou condições em que haja diminuição das proteínas em geral, como doenças do fígado em rim. A TBG pode estar em excesso ou deficiente também por predisposição genética, além de outras doenças e condições clínicas. Por esse motivo, nas doenças da tiroide são principalmente considerados a fração livre do T4 e não o T4 total em conjunto com o TSH. O T3 total sofre menos das variações da TBG, mas não é menos útil que o T4 para o diagnóstico das disfunções da tiroide.

Na prática clínica, a dosagem de TBG não é necessária na grande maioria dos casos de discrepância entre os níveis de T4 total e T4 livre.

Igualmente ou mais importante são as variações da SHBG em diversas condições clínicas, como síndrome dos ovários policísticos e resistência à insulina, porém esse tópico será desenvolvido separadamente.

Não se deve, portanto, chegar à conclusões sobre alguma doença endocrinológica baseando-se em dosagem isolada de um ou outro hormônio e sim, considerar as dosagens hormonais dentro de um todo um contexto que inclui uso de medicações, condições fisiológicas (ex – gravidez) e outras doenças que podem alterar a ligação dos hormônios às suas proteínas carreadoras.

Referências

http://www.mayomedicallaboratories.com/test-catalog/Clinical+and+Interpretive/9263

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279113/

 

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