Acantose nigricante e resistência à insulina

O que é acantose nigricante?

Não, não é sujeira! Muitos pacientes têm constrangimento por conta desse tipo de lesão. Fazem tratamentos tópicos, mas o real problema é no excesso de insulina na circulação.

O escurecimento localizado da pele, principalmente nas dobras do pescoço e axila, que deixa também um aspecto de estar mais grossa e aveludada, é o que se chama acantose nigricante ou nigricans. É comum em pessoas obesas com risco alto para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Os acrocórdons são também lesões que têm relação com resistência insulínica.

Esse fenômeno ocorre por conta dos níveis aumentados de insulina, para vencer a resistência encontrada nas células à ação desse hormônio a fim de manter os níveis de glicose normais na circulação (resistência insulínica). Essa dificuldade de ação é principalmente devida a defeitos não na molécula da insulina produzida, mas sim no seu receptor nas várias células do organismo.

Acantose nigricante em região do pescoço

A resistência insulínica está presente na síndrome metabólica e é um dos principais fatores que podem levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Mas como a insulina não age bem no seu receptor mas faz com que as células da pele se reproduzam?

A insulina em excesso começa a se ligar em outro receptor no qual não encontra resistência, o receptor de outra molécula chamada IGF (insulin-like growth factor, do inglês: fator de crescimento semelhante à insulina), produzido pelo estímulo do hormônio de crescimento. Pela ação cruzada nesse receptor, a insulina promove crescimento de diversos tipos de células da pele, resultando no aparecimento da acantose nigricans.

A resistência à insulina também aumenta a ação do IGF-1 de forma indireta ao reduzir a proteína ligadora. Assim tem mais hormônio IGF-1 livre para se ligar ao receptor.

Muita insulina circulante vai estimular o crescimento celular pela “abertura” do seu receptor, com também vai “abrir”o receptor de IGF-1, mesmo que nãose encaixe tão bem.

Não sabemos muito sobre a resistênciaà insulina na pele, mas o importante aqui é o efeito que a insulina em excesso excerce na pele.

Pessoas com esse tipo de alteração na pele devem procurar o médico para avaliação, que irá incluir rastreamento para pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

Raramente a acantose nigricans está relacionada a casos de câncer.

O tratamento leva em conta principalmente o controle do peso, dieta pobre em carboidrato e certas medicações que agem na resistência à insulina, como a merformina e a pioglitazona com objetivo de reduzir os níveis de insulina. Tratamentos tópicos também podem ser úteis.

Referência

Phiske MM. An approach to acanthosis nigricans. Indian Dermatol Online J. 2014;5(3):239-249. doi:10.4103/2229-5178.137765

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