A tirzepatida e a semaglutida são as medicações administradas em canetas no tecido subcutâneo que são aprovadas para obesidade e diabetes. Como já comentado em outro post, sobre os hormônios intestinais, a tirzepatida é um análogo dual de GLP1 e GIP, enquanto a semaglutida é só um análogo de GLP1.
Elas podem vir com diferentes nomes comerciais e são popularmente conhecidas como “canetas emagrecedoras”.
A semaglutida com apresentação aprovada para diabetes tipo 2 vai até 1,0mg e tem o nome de Ozempic ®.
A mesma molécula, semaglutida, aprovada para o tratamento de obesidade vai até 2,4mg e está sob o nome comercial do Wegovy ®.
A tirzepatida que chegou no Brasil foi aprovada apenas para o uso em diabetes tipo 2. O nome comercial é o Mounjaro® e vai até a dose de 5,0mg.
Não sabemos se a apresentação da tirzepatida para o tratamento da obesidade virá com o mesmo nome, mas deve vir com apresentações até 15mg.
Bem, houve 2 estudos comparando a tirzepatida (Mounjaro®) com a Semaglutida (Ozempic® e Wegovy®).
Comparação entre tirzepatida e semaglutida no diabetes tipo 2
O primeiro foi o SURPASS-2. Esse estudo durou 40 semanas e envolveu 1878 pessoas com sobrepeso e diabetes tipo 2 em uso apenas de metformina.
O principal objetivo do estudo foi ver melhora do controle glicêmico. O objetivo secundário foi ver a perda de peso nessas pessoas.
Todas as apresentações da tirzepatida (até 15mg do Mounjaro®) foram comparados com a semaglutida de 1,0mg (Ozempic®).
O resultado foi que todas as apresentações da tirzepatida foram superiores à Semaglutida de 1,0mg no controle do diabetes e na perda de peso.
Figura 1. Resultado de melhora do controle glicêmico com tirzepatida e semaglutida (desfecho primário). Ref 1.
A dose de 5mg da tirzepatida (Moujaro) conseguiu reduzir a 7,0% a Hb glicada em 82% comparados a 79% no grupo da semaglutida (Ozempic®). 86% dos pacientes com a dose de 15mg conseguiram chegar nesse alvo. A hemoglobina glicada média de início era 8,3%).
Em relação ao peso, após 40 semanas, temos os seguintes resultados:
A semaglutida de 1mg reduziu 6,7% do peso inicial, a tirzepatida 5mg reduziu 8,5% e tirzepatida de 15mg em 13,1% do peso inicial dos pacientes. O IMC inicial médio foi de 33kg/m2. A perda de peso ainda foi significativamente maior nos pacientes com qualquer apresentação da tirzepatida em comparação como a semaglutida.
Figura 2. Resultado quanto à perda de peso e lípides da tirzepatida e semaglutida (desfecho secundário). Ref 1.
Aqui, eu estou incluindo a apresentação de 5mg que é o que temos no momento disponível no mercado brasileiro.
Comparação entre tirzepatida e semaglutida na obesidade
Mas como foi a comparação da tirzepatida com a semaglutida em doses maiores de semaglutida para obesidade?
Essa resposta foi dada pelo estudo que saiu recentemente, o SURMOUNT 5, que comparou as máximas doses toleradas de tirzepatida (até 10 – 15mg) e semaglutida (até 1,7 – 2,4mg), cujo nome comercial seria o Wegovy.
O estudo foi até 72 semanas e incluiu cerca de 700 pessoas com sobrepeso com comorbidades ou obesidade, mas sem diabetes. O IMC inicial médio foi de 39 kg/m2.
O objetivo principal foi avaliar a porcentagem de peso perdida.
Como foram os resultados?
A dose de tirzepatida de 10 ou 15mg – reduziu em 20,2% o peso das pessoas comparado ao início do estudo, enquanto a dose de semaglutida de 1,7 ou 2,4mg, reduziu 13,7%. A tirzepatida também foi superior à semaglutida em reduzir a circunferência de cintura.
Figura 3. Redução do peso e circunferência de cintura. Comparação entre tirzepatida e semaglutida (doses máximas toleradas). Ref. 2.
E a dose de 5mg de tirzepatida, quanto reduziu? Não sabemos, provavelmente menos. Essa dose não foi testada.
O interessante desse estudo é que mulheres responderam melhor ao tratamento que homens.
Em relação aos eventos adversos, que são principalmente náusea, vômito, constipação ou diarreia, eles foram considerados na maioria leve a moderados e semelhantes nos grupos da tirzepatida e semaglutida. Entretanto, mais pessoas no grupo da semaglutida descontinuaram o tratamento devido aos efeitos colaterais da medicação.
Figura 4. Prevalência de efeitos colaterais da tirzepatida e semaglutida. Ref 2.
O que podemos concluir?
Que a tirzepatida (Mounjaro®) na dose de 5mg até 15mg é superior à semaglutida (Ozempic®) em controlar o diabetes e para perda de peso em pessoas com sobrepeso e diabetes tipo 2.
Que a tirzepatida (Moujaro®) na dose de 10 ou 15mg é superior à 1,7 ou 2,4mg de semaglutida (Wegovy®) para pacientes com sobrepeso e obesidade na redução do peso.
A pergunta que fica é:
Como seria a dose de 5mg de tirzepatida (Mounjaro®) contra a 1,7 a 2,4mg de semaglutida (Wegovy), já que são essas duas medicações que temos disponíveis nas drogarias. O valor pago por uma quantidade semelhante de perda de peso seria o mesmo ou ainda teremos um melhor custo-benefício do Moujaro sobre o Wegovy?
Qual o palpite de vocês?
Referências
Frías JP, Davies MJ, Rosenstock J, Pérez Manghi FC, Fernández Landó L, Bergman BK, Liu B, Cui X, Brown K; SURPASS-2 Investigators. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2021 Aug 5;385(6):503-515. doi: 10.1056/NEJMoa2107519. Epub 2021 Jun 25. PMID: 34170647.
Aronne LJ, Horn DB, le Roux CW, Ho W, Falcon BL, Gomez Valderas E, Das S, Lee CJ, Glass LC, Senyucel C, Dunn JP; SURMOUNT-5 Trial Investigators. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2025 May 11. doi: 10.1056/NEJMoa2416394. Epub ahead of print. PMID: 40353578.
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Eu resolvi fazer esse post especial só das publicações relacionadas as diferenças entre metformina IR (normal) e metformina XR.
A metformina de liberação imediata tem mais efeitos colaterais e deve ser tomada em várias doses ao dia. Já a metformina XR Dá menos efeitos gastrointestinais (diarreia e dor de estômago) do que a metformina “normal”. A metformina XR pode até ser tomada uma vez ao dia, mas costumamos dividir a dose também.
Lembrando que a metformina XR está disponível de graça na farmácia popular apenas na apresentação de 500 miligramas por comprimido.
Você tem alguma dúvida ainda sobre essas diferenças, não deixa de conferir estes posts!
Ref. – Timmins, P., Donahue, S., Meeker, J. et al. Steady-State Pharmacokinetics of a Novel Extended-Release Metformin Formulation. Clin Pharmacokinet 44, 721–729 (2005).
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inibidores de checkpoint imunológicos e endocrinopatias
Endocrinologia e oncologia têm uma nova interface: as complicações endocrinológicas dos inibidores de checkpoint. Essas medicações revolucionaram a oncologia nas últimas duas décadas, aumentando a sobrevida de muitos pacientes com câncer.
Os inibidores de checkpoint liberam o sistema imunológico a atacarem as células cancerígenas combatendo o tumor, mas também liberam autoimunidade e inflamação contra o sistema endócrino.
Os eventos adversos mais comuns sobre as glândulas são corriqueiros da prática dos endocrinologistas, tais como a tireoidite autoimune (tireoidite de Hashimoto) e o diabetes tipo 1, mas outras são muito raras, como a hipofisite e insuficiência adrenal primária. Esses eventos adversos podem ser leves a gravíssimos.
A ideia desse texto é conversar acerca da toxicidade dos inibidores de checkpoints sobre as glândulas endócrinas, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Os links que aparecerem durante o texto levam aos posts específicos de cada complicação endócrina.
O que são os inibidores dos checkpoints?
Os inibidores de checkpoint são anticorpos monoclonais amplamente utilizados no tratamento de diversos tipos de câncer na atualidade.
Para quem não está familiarizado com essa classe de droga, os inibidores de checkpoint agem em duas vias de sinalização relacionadas à ativação da célula T do sistema imunológico: o CTLA-4, PD-1 e seu ligante, PD-L1.
O CTLA-4 (cytotoxic T lymphocyte antigen-4) naturalmente bloqueia a ativação e proliferação das células T do sistema imunológico; O PD-1 (programmed cell death-1) e seu ligante PD-L1 sinergicamente com o CTLA-4 reduzem a proliferação e funcionamento das células T além da produção de citocinas. Essas moléculas são pontos de controle ou verificação (checkpoints) promovem a tolerância imunológica e previnem a autoimunidade.
O bloqueio do CTLA-4 em conjunto ou não com bloqueio do PD-1 e PD-L1 destravam esse controle imunológico e permitem o ataque autoimune contra as células cancerígenas. Só que a inibição desse sistema destrava também a autoimunidade e a inflamação contra outras células não cancerígenas como pele, intestino, fígado e glândulas endócrinas.
Os mecanismos de ação dos inibidores de checkpoint estão representados na Figura 1.
Figura 1. Mecanismos de ação dos inibidores de checkpoint
O ipilimumab foi primeiro inibidor de checkpoint aprovado para o tratamento de melanoma em 2011. Esse tipo de tratamento melhorou substancialmente a sobrevida dos pacientes. Os inibidores de PD-1 e PD-L1 demostraram eficácia maior que a primeira classe e hoje é aprovado em cerca de 17 diferentes tipos de câncer, incluindo pele, rim, pulmão, bexiga, trato digestivo alto e cabeça e pescoço.
Em alguns tipos de câncer, é feita a combinação do inibidor de CTLA-4 e PD-1/PDL-1, o que aumenta a eficácia, mas também os efeitos colaterais.
As principais medicações de cada classe estão descritas na Tabela 1.
Droga
Classe
Ipilimumabe
Anti-CTLA-4
Nivolumabe Pembrolizumabe Cemiplimabe
Anti-PD-1
Atezolizumabe Avelumabe Durvalumabe
Anti-PD-L1
Tabela 1. Representantes dos inibidores de checkpoint e suas respectivas classes
Toxicidade sobre o sistema endócrino dos inibidores de checkpoint
Os efeitos adversos que recaem sobre o sistema endócrino são diferentes em comparação aos outros sistemas. A seguir, algumas diferenças:
Primeiro, eles resultam em dano permanente e irreversível sobre as glândulas;
Segundo, para o tratamento dos efeitos colaterais, os dois principais pilares do tratamento (descontinuação da medicação ou corticoides em altas doses) não revertem o quadro autoimune.
Terceiro, o tratamento de reposição hormonal é o tratamento padrão e costuma ser definitivo.
Agora, vamos ver com mais detalhes principais as glândulas atingidas por essas novas medicações.
Tireoide
A tireoide é a glândula mais afetada. Efeitos colaterais acontecem em 10% dos pacientes tratados com inibidores do PD-1/PD-L1 em monoterapia até 15-20% daqueles tratados com combinação de anti-PD-1/CTLA-4. O hipotireoidismo acontece quase sempre e pode ser precedido de uma fase de tireoidite em 30-40% dos casos. Doença de Graves raramente acontece.
Pacientes com autoimunidade prévia são mais suscetíveis ao hipotireoidismo.
O diagnóstico é geralmente feito após o início da terapia com os inibidores de checkpoints, mas pode acontecer a qualquer momento do tratamento. Necessita de alto grau de suspeita clínica, já que os sintomas podem se confundir com os do tratamento do câncer em si.
O diagnóstico laboratorial de hipotireoidismo primário é feito mediante um TSH alto e T4 livre baixo. Entretanto, se houve um T4 livre baixo associado a um TSH baixo ou inapropriadamente normal, o diagnóstico de hipotireoidismo secundário (central) deve ser pensado e a hipófise, investigada.
O TSH e o T4 livre (necessariamente os dois) devem ser avaliados a cada 8 semanas do início do tratamento com essas drogas e a qualquer momento se houver sintomas sugestivos de disfunção tireoidiana.
O tratamento é o padrão para tireoidite e o hipotireoidismo, com sintomáticos na fase de tireotoxicose, se houver, seguidos por reposição com levotiroxina.
Hipófise
A inflamação da hipófise, ou hipofisite, é uma condição muito rara fora do contexto dos inibidores de checkpoints. Entretanto, hipofisite ou hipopituitarismo ocorrem em até 10% dos pacientes que receberam anti-CTLA-4 isolado ou combinado com o bloqueio do PD-1. Raramente acontece com anti-PD-1/PD-L1 em monoterapia (0,5 – 1,0%). Sexo masculino e idade mais avançada parecem ser fatores de risco para essa complicação.
Em modelos animais tratados com anti-CTLA-4 há infiltração de linfócitos e produção de autoanticorpos específicos contra as células que produzem ACTH, TSH e gonadotrofinas).
A maioria dos pacientes com hipofisite apresentam sintomas. Para o tratamento com ipilimumabe, os sintomas aparecem mais entre 9-12 semanas e em 6 meses para os anti-PD-1/PD-L1.
Fadiga e náusea são comuns e podem acontecer por conta de insuficiência adrenal secundária. Dor de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e defeitos do campo visual são relacionados à neurocompressão de estruturas circunvizinhas à hipófise.
Além da insuficiência adrenal, hipotireoidismo e hipogonadismo centrais ou secundários, também são bastante comuns.
O diagnóstico da hipofisite é feito com a dosagem dos basais hormonais dos diferentes setores (ACTH/cortisol, TSH/T4 livre, FSH/LH e estradiol ou testosterona etc.). Qualquer dose de corticoide recente pode confundir o diagnóstico de insuficiência adrenal e o endocrinologista deve ser consultado já que podem ser necessários testes hormonais dinâmicos, como o teste do ACTH para confirmação diagnóstica da insuficiência adrenal.
Os pacientes que apresentarem dor de cabeça devem ser investigados com ressonância magnética com atenção especial para área da hipófise. A imagem encontrada na sela túrcica pode ser de uma hipófise aumentada, que pode ser descrita como um “adenoma de hipófise” ou sela vazia. Contudo, uma imagem normal da hipófise não afasta o diagnóstico.
O rastreamento da insuficiência adrenal com cortisol sérico basal é controverso no tratamento dos inibidores de checkpoint.
O tratamento da insuficiência adrenal é padrão, já descrito em outro post, com prednisona ou hidrocortisona.
Se houver o diagnostico de hipotireoidismo concomitante, há dois pontos de atenção:
nunca deve ser feita a reposição da levotiroxina antes de descartar e iniciar o tratamento da insuficiência adrenal com corticoide (isso vale para o hipotireoidismo primário e central) ;
devemos nos basear no T4 livre e não no TSH para definir a dose de reposição de levotiroxina no hipotireoidismo central.
A reposição com esteroides sexuais nos homens e mulheres pode ser realizada, desde que não haja contraindicação ao seu uso.
Pacientes com sintomas de neurocompressão graves (dor de cabeça intensa, visão dupla, alteração do campo visual) podem receber prednisona 1-2mg/kg com rápido desmame (em 1-2 semanas) para não atrapalhar o tratamento oncológico. É possível que o corticoide continue como dose de reposição de insuficiência adrenal, mas não como dose anti-inflamatória.
Insuficiência adrenal primária
A insuficiência adrenal primária é uma complicação rara do tratamento com inibidores de checkpoint. Os sintomas comuns aos da insuficiência adrenal secundária são cansaço, fadiga e náusea e os sintomas exclusivos da insuficiência primária são escurecimento da pele, hipotensão com ou sem desidratação. No laboratório, temos cortisol baixo com ACTH alto e aumento do potássio como marcadores da insuficiência adrenal primária.
A crise adrenal é mais comum na insuficiência adrenal primária, mas pode acontecer também na secundária. Como a crise adrenal é uma complicação potencialmente fatal, o tratamento com hidrocortisona e reposição volêmica devem ser iniciados mesmo sem a confirmação de qual seria o tipo de insuficiência adrenal. Não esquecer da carta ou cartão de orientação nos casos de emergência na alta do paciente!
De uso contínu, na insuficiência adrenal primária, é necessário um glicocorticoide (prednisona ou hidrocortisona) associado à um mineralocorticoide (fludrocortiosona).
Diabetes mellitus (DM)
É um diabetes mellitus causado pelos inibidores do checkpoint cursam com deficiência grave de insulina. Parece um tipo 1, mas tem algumas particularidades.
É provável que seja um diabetes autoimune, mas os anticorpos contra o pâncreas só estão presentes em 40-50% dos pacientes versus 90% dos pacientes com diabetes tipo 1.
Há uma destruição mais rápida e grave das células beta das ilhotas pancreáticas. Diferentemente da hipofisite, o diabetes mellitus é mais comum em usuários dos inibidores de anti-PD-1/PD-L1 isolado ou em combinação e raro nos que usam CTLA-4 em monoterapia.
Frequentemente, o DM pode vir associado à pancreatite (pâncreas exócrino), tireoidite e colite.
O diagnóstico não é difícil, pois os sintomas são clássicos do diabetes descompensando e da cetoacidose diabética. A glicemia está alta ao diagnóstico, mas a Hb glicada pode não estar elevada, já que a glicemia pode subir de forma rápida e não dar tempo de glicar a hemoglobina.
Mais comumente, o diabetes aparece entre 7-17 semanas do início da terapia com os inibidores do checkpoint, mas pode surgir vários anos depois.
A monitorização da glicemia a cada ciclo da medicação oncológica pode ser útil. Amilase e lipase elevadas suportam o diagnóstico do diabetes induzido pela droga, mas podem vir normais.
O tratamento é feito como no diabetes tipo 1, com reposição de dois tipos de insulinas de forma permanente.
Considerações finais
As complicações endocrinológicas das novas medicações contra o câncer abrem um novo capítulo na endocrinologia e mais um ponto de trabalho em conjunto entre o oncologista e endocrinologista.
A primeira vez que eu ouvi uma colega falar de hipofisite em um dos pacientes dela usando inibidores de checkpoint eu fiquei assustada e curiosa, até o momento em que eu tive um paciente no consultório com insuficiência adrenal secundária ao uso dessas medicações. Percebi, naquele momento, que esse tipo de paciente pode chegar em qualquer consultório de endocrinologia.
Uma das motivações que me fazem escrever nesse blog é aprender mais sobre assuntos novos e esse, certamente, esse é essencial. Espero que essas informações tenham sido úteis para pacientes em tratamento oncológico, aos que trabalham ou convivem com pessoas em tratamento de câncer e colegas de profissão.
Percik R, Shoenfeld Y. Check point inhibitors and autoimmunity: Why endocrinopathies and who is prone to? Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2020 Jan;34(1):101411. doi: 10.1016/j.beem.2020.101411. Epub 2020 Mar 5. PMID: 32278687.
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Endocrinologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Doutora em Ciências pela USP, Professora do curso de Medicina da uninove campus Mauá
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