Dieta para Síndrome de Ovários Policísticos?

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a obesidade são doenças endocrinológicas muito comuns em mulheres em idade reprodutiva.

De 30 a 70% das pacientes têm resistência à insulina, característica da Síndrome Metabólica. A resistência à insulina, por sua vez, que pode levar ao aumento do risco diabetes e de doenças cardiovasculares.

Sabe-se que a obesidade e a SOP estão intimamente relacionadas e ambas vem crescendo em grande escala nas últimas décadas. Esse fenômeno é resultante de grandes revoluções na nossa alimentação e estilo de vida que favorecem o ganho de peso.

A SOP, o diabetes, a obesidade e a doença cardiovascular têm em comum um leve grau de inflamação contínua no organismo e que alguns alimentos podem piorar esse quadro.

Afinal, exite uma dieta melhor para mulheres que tenham síndrome dos ovários policísticos, considerando a realidade nutricional atual?

Evidências científicas sobre alimentos ultraprocessados e piora da SOP

Um artigo publicado na revista Nutrition Research Reviews (1) revisou o impacto das fontes e quantidades dos carboidratos na dieta no aumento dos fatores inflamatórios em pacientes com SOP.

Entre os alimentos que mais produzem inflamação, temos os alimentos muito calóricos, os ricos em carboidratos refinados de alto índice glicêmico e carga glicêmica (aqueles que aumentam rapidamente a glicose e insulina no sangue após a sua ingestão), os ricos em gordura e pobre em fibras. Todas essas características são típicas da Dieta Ocidental.

Adoçantes à base de frutose (açúcar das frutas) também elevaram os marcadores inflamatórios.

Na prática clínica, podemos avaliar o grau de inflação por marcadores bioquímicos como proteína C reativa e também ferritina. Esses marcadores estão aumentados nos estados como obesidade e diabetes, por exemplo.

Diferentes estudos mostraram que carboidratos dos laticínios e dos alimentos ricos em de amido (ex: batata, mandioca, arroz, trigo) provocam picos de insulina maiores que carboidratos derivados de vegetais e frutas isentos ou pobre em amido (feijão, couve-flor, cenoura, folhas verdes, abobrinha, milho, ervilha, cebola, vagem etc). Esses últimos alimentos devem ser escolhidos no lugar dos primeiros.

Alimentos recomendados para síndrome dos ovários policísticos

Quando comparados aos alimentos citados da Dieta Ocidental, estudos sugerem que dietas de baixo índice glicêmico, ricos em fibras, (por exemplo os in natura ou minimamente processados) estão relacionados a menores níveis de marcadores inflamatórios.

A ingestão de castanhas, ricas em gorduras boas, também foi citada como possivelmente benéfica para reduzir os níveis de inflamação no organismo. É bom lembrar que frutas e vegetais frescos são ricos em antioxidantes naturais.

Para uma dieta saudável, não precisamos inventar muita moda. Não é necessário que seja adicionados alimentos fora da culinária brasileira.

Os principais pilares da dieta que parece ser benéfica para a Síndrome de Ovários Policísticos e obesidade estão presentes no Guia Alimentar para População Brasileira (2): preferir alimentos in natura ou minimamente processados e evitar alimentos industrializados. Esse guia vale a pena ler com bastante calma e atenção.

Exemplo de alimento in natura, processado e ultraprocessado

O arroz com feijão, salada e mais uma fonte de proteína com uma fruta como sobremesa é um ótimo exemplo de refeição equilibrada. Se for possível substituir o arroz branco por arroz integral, melhor ainda!

Típico prato da culinária brasileira

Orientações adicionais

Em mulheres com sobrepeso, o controle do peso é fundamental para o sucesso do tratamento da SOP. Nessas pacientes, uma redução em 30% das calorias diárias ou de 500 a 700 calorias por dia é recomendável para perda de peso.

Mas cuidado! Pacientes sem sobrepeso que fazem dieta restritiva podem parar de menstruar devido a outro problema chamado Amenorreia Hipotalâmica Funcional.

Além da dieta, é importante fazer atividade física regular, que deve ter exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação etc) combinados aos exercícios resistidos (musculação, pilates, funcional etc).

Referências

1. BARREA, L. et al. Source and amount of carbohydrate in the diet and inflammation in women with polycystic ovary syndrome. Nutr Res Rev, v. 31, n. 2, p. 291-301, 12 2018. ISSN 1475-2700. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30033891

2. Guia Alimentar para População Brasileira

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