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Análogos de insulina para diabetes tipo 1

Secreção de insulina basal e prandial

Para iniciar a discussão sobre os análogos de insulina, precisamos pincelar os perfis de secreção de insulina em pessoas sem diabetes.

Em pessoas sem diabetes, o pâncreas secreta insulina em dois padrões:

Insulina basal – mantém o metabolismo em estado anabólico; é uma secreção contínua nas 24h do dia;

Insulina prandial – picos de liberação para a captação de nutrientes da refeição, principalmente carboidratos.

No tratamento do diabetes tipo 1, o grande desafio é mimetizar os dois padrões de secreção fisiológica de insulina pelo pâncreas normal. Para isso, dois tipos de insulina são necessários: um de ação mais lenta que imitaria a insulina basal e outra de ação mais rápida, que faria o papel da insulina prandial.

Terapia insulínica basal-bolus

A insulina basal é administrada de forma independente da refeição e a insulina prandial em “bolus” antes de cada refeição. Esse esquema da utilização de dois tipos de insulina é conhecido como basal-bolus.

A insulina de ação rápida também pode ser usada para reduzir os níveis de glicemia para valores menores quando há um grande aumento dos seus níveis (hiperglicemia). Essa é a insulina de correção, que vem para corrigir o pico de glicose, enquanto a dose de insulina prandial é utilizada para prevenir o pico pós-refeição.

Na hipoglicemia, o pâncreas deixa de secretar insulina (endógena). Em pessoas com diabetes que fazem uso de insulina exógena na forma de injeções, a queda dos níveis de glicose não tem ação sobre a quantidade de insulina circulante. A falta desse feedback  negativo (ausência da ação da insulina na hipoglicemia) é uma das complicações do tratamento no diabetes tipo 1 que foi minimizada com a chegada dos análogos de insulina.

Insulinas subcutâneas

A descoberta da insulina foi um marco na vida de vários pacientes diabéticos e um grande avanço na medicina. A história da descoberta da insulina por Banting e Best em 1921 está em um post especial.

De lá para cá, a produção de novos tipos de insulinas só vem avançando. Entretanto, o uso de insulinas modernas não é uma realidade para a maioria dos pacientes. Dessa forma, é necessário incluir nesse post as insulinas humanas também para diferenciá-las dos análogos.

Insulinas humanas

Insulina regular

A insulina regular tem a mesma estrutura da insulina produzida pelo pâncreas: seis monômeros em torno de um íon de zinco que formam juntos um hexâmero. . Ela surgiu da forma que conhecemos hoje por engenharia genética no final dos anos 70.

Quando administrada diretamente no sangue, os hexâmeros da insulina regular rapidamente se dissociam em monômeros, forma que interage imediatamente com o receptor de insulina para exercer sua ação de facilitar a entrada de glicose nas células.

Se administradas no tecido subcutâneo, os hexâmeros devem se dissociar em monômeros para então serem reabsorvidos pela corrente sanguínea. Essa necessidade de dissociação, faz com que haja um atraso no início de ação da insulina e um “desencontro” do pico de glicemia do alimento com o pico de ação de insulina, motivo pelo qual a insulina regular deve ser administrada pelo menos 30 minutos antes da refeição.

Insulina humana NPH (Neutral Protamin Hagedorn)

Em 1936, Hans Hagedorn e B. Norman Jensen descobriram que o efeito da insulina dos extratos de pâncreas animal poderia ser prolongado pela adição de uma substância chamada protamina, isolada do esperma de peixes, e misturada em proporções exatas com zinco e fenol. Essa mistura mantém o pH neutro e forma cristais que lentificam a absorção e prolonga o tempo de ação.  A insulina NPH tem esse nome como acrônimo de Neutral Protamine Hagedorn). Surgia assim uma insulina de ação mais lenta que é ainda é utilizada para mimetizar a insulina basal. Essa tecnologia foi utilizada depois para a insulina humana NPH.

Como principais limitações principais da insulina NPH, temos a grande variabilidade de sua ação, necessidade de lanches entre as refeições e a não cobertura das 24h por uma única dose diária. O risco de hipoglicemia noturna também é maior que com a insulina NPH que com as insulinas análogas.

Análogos de insulina

Nos últimos 20 anos, tomando como base as insulinas humanas, novas insulinas foram criadas por mudanças nas suas estruturas moleculares que modificam características com o tempo para o início ou a duração de ação, as chamadas insulinas análogas ou análogos de inulina. De semelhante modo às insulinas humanas, temos insulinas de ação rápida e de ação lenta (Fig 1).

Análogos de insulina de ação rápida

Disponíveis na década de 90, os análogos de insulina de ação rápida são modificações da molécula da insulina humana para que os hexâmeros se dissociem mais rapidamente em monômeros.

Insulina asparte, insulina lispro e glulisina

Os representantes da classe dos análogos de insulina de ação rápida são as insulinas asparte, insulina lispro e glulisina.

Essas insulinas, por terem um início de ação mais rápido e menor tempo de duração, “cobrem” de forma mais adequada o aumento da glicemia após uma refeição. Devido à essa característica, podem ser administradas de 15 minutos antes até imediatamente após a refeição, o que melhora a flexibilidade da administração e aumenta a satisfação do paciente com o seu tratamento.

Adicionalmente, há menor risco de hiperglicemia pós-prandial e hipoglicemia noturna quando se compara a utilização dos análogos de insulina rápida em comparação com a insulina regular.

Insulina asparte ultrarrápida

Em 2020, chegou ao Brasil a insulina asparte de ação ultrarrápida, comercializada sob o nome de insulina Fiasp. A nova insulina asparte tem de diferente a adição da vitamina B3 (nicotinamida) e o aminoácido L-arginina à molécula da antiga aspart (figura 1). Com isso, os monômeros dessa nova insulina se dissociam mais rapidamente que todas as insulinas anteriores. Isso permite que a sua administração de dois minutos antes da refeição, no momento da refeição ou até 20 minutos após.

analogos insulina DM1
Figura 1. Diferenças entre diversas insulinas humanas e análogas em relação à estrutura molecular, velocidade de absorção e tempo de ação

Na Figura 2, temos o gráfico comparativo das concentrações no sangue dos diversos tipos de insulina prandiais.

analogos insulina DM1
Figura 2. Concentração no sangue das insulinas de ação rápida. Comparadas com a insulina humana regular, as insulinas aspart, lispro e glulisina tem um início de ação mais rápida, um pico mais alto de concentração e uma duração menor.

As insulinas asparte e lispro são as de eleição para o sistema de infusão contínua ou bomba de insulina. Nesse tipo de terapia, pequenas doses de insulina de ação rápida são liberadas de forma contínua por um dispositivo para mimetizar a insulina basal, e quando necessário, doses maiores são administradas (bolus) para cobrir as refeições ou corrigir a hiperglicemia.

bomba de insulina
Fig 3. Exemplo de sistema de infusão contínua de insulina (bomba de insulina)

Análogos de insulina ação prolongada

Essas insulinas foram desenhadas para terem um tempo maior de ação e serem injetadas uma vez ao dia. Por terem menor variabilidade que a insulina NPH, os análogos de insulina conferem menor risco de hipoglicemia (notadamente, a hipoglicemia noturna).

Insulina glargina

Foi o primeiro análogo de insulina desenvolvido e uma das insulinas mais prescritas. No recipiente, o pH da solução de insulina é ácido. Quando administrada no tecido subcutâneo, que têm o pH neutro, a insulina forma agregados que vão lentamente liberam seus hexâmeros. A primeira apresentação disponível é a glargina U100 (100 unidades em 1ml de solução). Recentemente, foi lançada a insulina glargina U300 (300 unidades em 1ml de solução) que leva mais tempo que a insulina glargina U100 para liberar toda quantidade de insulina injetada, prolongando sua duração.

Insulina detemir

As modificações na estrutura molecular dessa insulina permitem a disposição da insulina em di-hexâmeros no local da injeção e a ligação a uma molécula de albumina na corrente sanguínea. Essas duas características conferem um prolongamento do tempo de ação da insulina detemir em relação ao da insulina NPH.

O tempo de ação médio da insulina detemir é de 21,5 horas. Uma proporção maior de pacientes precisará de duas doses de insulina para cobrir as necessidades basais diárias de insulina em comparação à insulina glargina. Entretanto, estudos que compararam pacientes usando duas doses de detemir versus uma dose de insulina glargina, demostraram menor risco de hipoglicemia noturna com a insulina detemir.

Insulina degludeca 

É um análogo de insulina mais recente. A insulina degludeca quando aplicada no subcutâneo, forma uma longa cadeia de hexâmeros (multi-hexâmeros) e ainda se liga à albumina. Uma vez atingido o estado de equilíbrio, a insulina degludeca pode ter duração de ação de até 48h. Essa ação ultraprolongada permite que a insulina seja administrada uma vez ao dia em horários diferentes. Também foram observadas menores taxas de hipoglicemia noturna com a insulina degludeca quando comparada à insulina glargina.

Figura 4. Tempo de duração da inulina NPH e análogos de insulina de longa duração

As insulinas humanas e os análogos de insulina aspart, lispro e detemir podem ser utilizados na gravidez.

Os prós e contras do uso de análogos de insulina versus insulinas humanas

INSULINAS DE AÇÃO RÁPIDA

Favorecem análogos de insulina versus insulinas humanas

  • Insulinas de longa duração
  • Rápido início de ação
  • Controle da glicose pós refeição
  • Curta duração
  • Menor risco de hipoglicemia diurna
  • Não há necessidade de lanches
  • Menor risco de hipoglicemia noturna
  • Flexibilidade (injeções no horário da refeição)
  • Uso de infusão subcutânea contínua (bomba de insulina)

Por terem menor risco de hipoglicemia. é uma estratégia para reversão da hipoglicemia sem sintomas de alerta.

Favorecem insulinas humanas versus insulinas análogas

  • Custo
  • Experiência clínica
  • Acesso (disponibilidade no sistema público)

INSULINAS DE AÇÃO LENTA

Favorecem análogos de insulina versus insulinas humanas

  • Duração da ação
  • Sem pico de ação
  • Variabilidade da resposta
  • Menor risco de hipoglicemia
  • Sem necessidade de lanches
  • Menor risco de hipoglicemia noturna
  • Maior flexibilidade
  • Disponibilidade em formas concentradas

Favorecem insulinas humanas versus insulinas análogas

  • Custo
  • Experiência clínica
  • Acesso (disponibilidade no sistema público)

Considerações finais

O desenvolvimento dos análogos de insulina e toda tecnologia hoje disponível para o tratamento do diabetes tipo 1 trouxe mais segurança ao tratamento através dos menores índices de hipoglicemia, maior flexibilidade e satisfação com o tratamento. Efeito positivo também foi observado em relação ao menor ganho de peso com a insulinoterapia. Vale a pena lembrar que o tipo de insulina, dispositivos, utilização de monitorização de glicose, sejam eles antigos ou modernos, por vezes não são suficientes para atingir o bom controle da glicemia. A educação em diabetes ainda persiste como um grande desafio, e sem dúvida é uma peça indispensável na conquista diária do bom controle da glicemia.

Referência

MATHIEU, C.; GILLARD, P.; BENHALIMA, K. Insulin analogues in type 1 diabetes mellitus: getting better all the time. Nat Rev Endocrinol, Apr 2017. ISSN 1759-5037.

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Suzana

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Diabetes e direção

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego publicou uma recomendação que gerou uma certa polêmica no quesito de diabetes e direção: a de que uma pessoa, ao iniciar o tratamento, deve interromper a condução de veículos temporariamente, para evitar episódios de hipoglicemia ao volante. Esta recomendação foi publicada no Portal IG: http://ultimosegundo.ig.com.br/igvigilante/transito/2016-07-12/diabetes-direcao-tratamento.html

A questão maior levantada na matéria foi com relação à hipoglicemia não percebida ou assintomática (quando o indivíduo tem hipoglicemia sem os sintomas). O motorista pode apresentar tremor, palpitação, sudorese, podendo evoluir diretamente para alteração do nível de consciência (confusão, desmaios, coma) ou convulsões. A matéria não fala claramente o que seria “equilibrar o diabetes”, pode levar ao entendimento de que seria uma hemoglobina glicada mais próximo ao alvo determinado para o paciente ou uma pequena variabilidade da glicemia.

Segundo a diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, de 2004, considera que o indivíduo deveria deixar de dirigir por 12 meses, caso tenha tido uma hipoglicemia grave. Destaca ainda que considera como inaptos apenas portadores de grave e irreversível de microangiopatia (lesões nos pequenos vasos sanguíneos, como na retina, nervos, que levam à retinopatia e neuropatia e pé diabético), macroangiopatia (lesões em grandes vasos, como artérias do cérebro ou coração, que levam a infarto e derrame) que originam o comprometimento da capacidade de dirigir.

Após a publicação da diretriz, foram lançados vários tipos de medicação que têm um baixo risco de causar hipoglicemia. No diabetes tipo 1, que necessita de insulina desde o início, o tratamento tem maior risco de hipoglicemias que o diabetes tipo 2.

Estudos têm mostrado que o controle intensivo do diabetes tipo 1, aumenta em até três vezes o risco de hipoglicemia, inclusive hipoglicemia sem sintomas de alerta.  Em outras palavras, quanto menor a hemoglobina glicada, maior o risco de hipoglicemia em estudos mais antigos. O uso de análogos de insulina reduz o risco de hipoglicemia.

Cabe aqui saber se a hipoglicemia é grave (necessidade de ajuda de outra pessoa ou atendimento de emergência para resolução da hipoglicemia) ou assintomática, que teriam um maior risco para direção.

Mesmo com maior risco de hipoglicemia, a diretriz ressalta que “mesmo que a hipoglicemia seja um genuíno fator de risco, uma proporção relativamente pequena de episódios de hipoglicemia durante o ato de dirigir poderá resultar em acidente de trânsito e uma proporção extremamente pequena de todos os acidentes de trânsito poderá ser atribuída à hipoglicemia em motoristas com diabetes tratados com insulina”.

Mais atualizada, o Departamento Nacional de Trânsito publicou a Resolução 425/2012, que não faz todas as considerações que a diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego realiza sobre os fatores de risco nos portadores de diabetes. Este público faz parte do questionamento de saúde, muito provavelmente por conta das complicações crônicas (retinopatia, neuropatia, doença cardiovascular). Para isso, ele recomenda avaliações específicas como:

  • oftalmológica;
  • otorrinolaringológica;
  • cardiorrespiratória; neurológica;
  • do aparelho locomotor,onde serão exploradas a integridade e funcionalidade de cada membro e coluna vertebral, buscando-se constatar a existência de malformações, agenesias ou amputações, assim como o grau de amplitude articular dos movimentos; dos distúrbios do sono, exigida quando da renovação, adição e mudança para as categorias C, D e E; e exames complementares ou especializados, solicitados a critério médico.

Apesar de estas recomendações para diabetes e direção serem serem válidas, seria importante complementarmos estas com:

  • Medir a glicemia antes de dirigir e a intervalos regulares por uma hora ou mais;
  • Deixar prontamente disponível no carro, antes de começar a dirigir, o medidor de glicose e uma fonte de carboidrato de rápida absorção para correção da hipoglicemia;
  • Tentar estacionar o carro assim que a pessoa sentir sintomas de hipoglicemia;
  • Reavaliar a glicemia;
  • Corrigir hipoglicemia, após sua confirmação, ou caso não consiga confirmar a mesma pela medida da glicemia capilar, ingerir carboidratos como se estivesse em hipoglicemia;
  • Medir novamente a glicemia após ingestão de carboidratos;
  • Voltar a dirigir após a recuperação dos níveis glicêmicos e dos sintomas de hipoglicemia, que pode durar de 30 a 60 minutos por conta do atraso na recuperação dos sintomas cognitivos;
  • Avaliação contínua da glicose pode ser uma importante ferramenta, já que oferece a tendência das variações da glicemia.

Com estas medidas, o risco de uma pessoa não saber prevenir a hipoglicemia ou, se caso tiver sintoma, já sabe como administrar a correção para evitar qualquer acidente e colocar em risco a sua vida como a dos outros. A chave neste caso é ter informação e educação em diabetes!

Esse texto foi uma contribuição para o site DE BEM COM A VIDA

Colaboraram: Dra. Fernanda Thome e Vanessa Pirolo

Confira a matéria original

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Diabetes tipo LADA: a meio caminho entre diabetes tipo 1 e tipo 2

Diabetes tipo LADA

Mais um tipo de diabetes que não é tipo 1 clássico e nem tipo 2. Em outros post, foram apresentados o diabetes tipo MODY e o termo Diabetes Duplo . Agora é a vez do diabetes tipo LADA. É um tipo de diabetes tipo 1 imunomediado, msa com algumas diferenças. 

Alguns pacientes com diabetes de início na idade adulta têm um misto de características do diabetes tipo 1(DM1) clássico e do diabetes tipo 2 (DM2). Esse tipo de diabetes é chamado de Diabetes Latente Autoimmune do Adulto ou LADA (acrônimo do ingles: latent autoimmune diabetes in adults).

Muitos pesquisadores acreditam que o LADA, muitas vezes chamado de diabetes tipo 1,5, é um subtipo de diabetes tipo 1, enquanto outros acreditam que o diabetes é um espectro, e que o LADA estaria a meio caminho entre diabetes tipo 2 e tipo 1.

Semelhanças entre o diabetes LADA e diabetes tipo 1

Como os portadores de DM1, esses pacientes produzem anticorpos (autoanticorpos) que atacam as célula beta das ilhotas pancreáticas, levando à diminuição secreção de insulina pelo organismo. Porém, diferente do que acontece no DM1, a quantidade de insulina secretada é suficiente para não ser necessária a administração de insulina injetável por mais de seis meses ou um ano a partir do diagnóstico.

Os autoanticorpos mais pesquisados no LADA são os mesmos presentes nos pacientes com DM1: anticorpos contra descarboxilase do ácido glutâmico (GADA), tirosina fosfatase (IA-2), ilhota (ICA) e o transportador do Zn 8 (ZnT8A). O GADA é descrito como sendo o anticorpo mais frequentemente presente nesse tipo de diabetes. Seus níveis correlacionam-se diretamente com a destruição das células beta, resultando em necessidade de insulinização mais precocemente quando seus níveis estão muito elevados.

Semelhanças e diferenças entre o LADA e diabetes tipo 2

As semelhaças com DM2 residem na idade ao diagnóstico (em geral após os 30 anos de idade) e na possibilidade de atingir o controle glicêmico com dieta, execício, perda de peso (quando indicado) e comprimidos na fase inicial. Em relação às diferenças, os pacientes com LADA clinicamente tendem a ter uma média de idade menor, menor índice de massa corporea e mais frequentemente necessidade de insulina para o controle do diabetes. Muitos pacientes com LADA são erroneamente diagnosticados com portadores de DM2.

E qual a importância de se diferenciar o LADA do tipo 2?

A principal razão está no diferente acompanhamento e tratamento desses pacientes. Quando comparados aos pacientes com DM2, os pacientes com LADA precisam de acompanhamento mais frequente, e insulinização precoce antes que tenham descompensção metabólica.

De uma forma geral, a metformina pode ser utilizada quando adequada e as medicações que estimulam diretamente a secreção de insulina pelo pâncreas (sulfoniluréias, meglitinidas) são desencorajadas no manejo do diabetes desses pacientes.

Para os pacientes, é importante que avisem aos médicos sobre os sinais de descompansação do diabetes, tais como tais como perda de peso não intencional, excesso de fome, de sede e do volume urinário, decorrente do rápido aumento excessivo dos níveis glicêmicos no sangue. Um ajuste do tratamento pode ser necessário.

Em conclusão, o diabetes autoimmune do adulto, ou LADA, é a forma mais comum de diabetes autoimune no adulto e comumente confundido com o diabetes tipo 2. O seu diagnóstico é importante para o acompanhamento e tratamento adequados.

Referência:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/dme.12700/epdf

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