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O uso de altas doses de biotina e interferência nos testes de tireoide

Muitos pacientes tomando doses altas de biotina podem ter alterações em vários exames laboratoriais, incluindo exames que avaliam a função da tireoide.

A biotina é uma vitamina do complexo B e pode ser comercializada pelos nomes de vitamina B7, vitamina H e coenzima R e ainda pode não estar listada com esses nomes em suplementos para melhorar queixas relacionados aos cabelos e unhas.

As necessidades diárias de biotina são por volta de 30mcg. Existem suplementos de biotina de até 1000 mcg disponíveis comercialmente, isto é, uma superdose de biotina.

Conforme discutido em uma publicação anterior, nos casos de hipotireoidismo por problemas no funcionamento da tiroide, a dosagem do TSH está elevado com T4 livre baixo no sangue.

Uma das interferências observadas do uso da biotina nos exames laboratoriais da tireoide pode resultar em dosagem de T4 livre e T3 elevados, com T4 total e TSH normais, conjunto de resultados que não se encaixa no diagnóstico de hipotireoidismo e pelas causas mais comuns dessa doença.

Na verdade, o T4 livre no organismo pode estar normal, mas a biotina interfere no resultado dos exames por alterar a “leitura” dos seus níveis dependendo do método que o laboratório utiliza.

Altas doses de biotina podem causar variações falsamente elevadas ou baixas de moléculas pequenas como tais como T4, T3 cortisol, dependendo do tipo de método (ensaio) utilizado para as dosagens desses hormônios pelo laboratório. Ainda pode também interferir com dosagens do anticorpo contra o receptor de TSH (TRAB), podendo levar a um falso diagnóstico de Doença de Graves, outro tipo de doença da tireoide.

Na suspeita de interferência da biotina nos exames laboratoriais, uma possibilidade é suspender o uso da biotina e fazer nova dosagem hormonal em alguns dias, pois a vitamina não se acumula no organismo e seu excesso é rapidamente eliminado.

Esse achado reforça a orientação para que os pacientes não esqueçam de mencionar na consulta o uso de polivitamínicos e/ou suplementos alimentares, e também para os médicos perguntarem aos seus pacientes sobre o uso de qualquer suplemento ou polivitamínico que esteja sendo ingerido pelo paciente. É muito comum que esses compostos não sejam considerados medicações, mas certamente interferem na ação de alguns medicamentos e nos resultados de testes laboratoriais.

Quando os resultados laboratoriais não façam sentindo para explicar o quadro clínico, deve-se pensar antes em possíveis interferências que modifiquem os resultados dos exames laboratoriais do que doenças raras.

Laboratórios orientam suspender a biotina 72h antes da coleta de sangue caso seja necessária a repetição dos exames por suspeita da interferência da biotina nos resultados.

Referências:

http://endocrinenews.endocrine.org/january-2016-thyroid-month-beware-of-biotin/

https://www.fda.gov/medicaldevices/safety/alertsandnotices/ucm586505.htm 

Os exames nas doenças da tireoide

A tireoide, ou tiroide, é governada pela glândula pituitária ou hipófise, um órgão que está na base do crânio e tem um tamanho de uma ervilha.
A tiroide tem forma de borboleta e está localizada na frente do pescoço.

O hipotálamo e a hipófise percebem a quantidade de hormônio produzido pela tiroide (T3 e T4), e secretam o mais ou menos hormônio que estimulam a tiroide a produzir seus hormônios: o TRH e TSH ou hormônio tireoestimulante.

Quando há pouco hormônio tiroidiano sendo produzido (T3 e T4) por funcionamento deficiente da tireoide, a hipófise entende que é preciso estimulá-la mais, aumentando a produção de TSH. O contrário acontece quando há muito hormônio tiroidiano circulante (o TSH diminui), nos casos em que a tiroide começa a secretar hormônio em excesso.

Dessa forma, o hipotiroidismo primário (por defeito na tiróide) tem como característica: TSH alto, T3 e T4 baixos.

Há casos também de hipotiroidismo cujo defeito não está na tiroide, e sim na hipófise ou hipotálamo. Esses casos são denominados hipotiroidismo secundário e terciário respectivamente.

A presença de nódulos de tiroide não necessariamente estão associados à alteração na função da tiroide.

Já no hipertiroidismo primário, o TSH é baixo e o T3 e T4 são altos.

Na prática clínica, é dosado o TSH e o T4 livre (um fração do T4) para diagnóstico das doenças tiroidianas.

Abaixo temos um diagrama explicando as regulação dos hormônios

Caso os exames de tiroide estejam alterados, é importante descartar se eles foram colhidos na vigência do uso de biotina. O ideal é suspender o uso dessa vitamina 72h antes da coleta de sangue.
A dosagem dos hormônios da tiroide e hipofisário classifica a disfunção da tiroide em primária ou secundária. De longe a primária é mais comum. A causa pode ser autoimune, como na Tiroidite de Hashimoto e Doença de Graves.

O tratamento depende dos níveis hormonais e presença de anticorpos circulantes.

Mesmo entendendo todas essas regulações, alguns casos de interpretação não são tão óbvios. O médico que solicitou esses exames deve ser sempre consultado. Se houver maiores dificuldades, um endocrinologista pode ser acionado.