Esses conceitos foram lançados há poucos anos e nomeia os diferentes perfis de pessoas com obesidade. Sabendo o(s) fenótipo(s) de determinado paciente, a terapia é melhor direcionada.
Antes, é importante saber qual a diferença entre saciação e saciedade
– SACIAÇÃO: sensação de sentir-se satisfeito. Está relacionada com a quantidade de calorias que a pessoa necessita para terminar a refeição.
– SACIEDADE: está relacionada ao tempo que a pessoa leva entre terminar uma refeição e sentir fome novamente.
FENÓTIPOS DA OBESIDADE
Os pesquisadores dividiram em quatro grupos de pacientes: cérebro faminto, intestino faminto, comer emocional e baixa queima calórica.
- COMER EMOCIONAL – relacionado ao apetite hedônico, no qual a comida é uma fonte de prazer, mesmo se a pessoa não estiver com fome fisiológica. É a vontade de comer, mesmo sem fome.
- CÉREBRO FAMINTO – há um problema de saciação. A pessoa precisa de mais calorias para terminar uma refeição.
- INTESTINO FAMINTO – o problema está na saciedade. Após o término de uma refeição, em pouco tempo a pessoa volta a sentir fome novamente.
- METABOLISMO LENTO – a pessoa não queima bem as calorias consumidas e tende a ganhar peso.
Em 15% das 450 pessoas estudadas, os pesquisadores não conseguiram distinguir um fenótipo que coubesse nos critérios que eles delinearam. Interessante ver que o mesmo paciente pode combinar mais de um tipo de fenótipo, que aconteceu em 27% dos participantes. Quem teve o tratamento delineado para o seu fenótipo, conseguiu perder mais peso no tempo de estudo.

Tratamento direcionado
Considerando os fenótipos, os pesquisadores direcionaram a terapia não medicamentosa e medicamentosa em um grupo e no outro, não houve esse tipo de critério para escolha do tratamento.
Em relação ao grupo para o qual a terapia foi direcionada, foram utilizadas as seguintes estratégias:
- Fome emocional – combinação de bupropiona com naltrexone
- Cérebro faminto – saciação anormal: combinação de fentermina com topiramato. Lorcaserina, inicialmente, foi uma opção, porém ela foi retirada foi retirada do mercado.
- Intestino faminto – saciedade anormal: liraglutide
- Metabolismo lento: fentermina associada à atividade física resistida
Resultados
No estudo, quando o tratamento foi direcionado para o fenótipo, houve 75% mais chance de perda de peso em 1 ano quando comparado ao grupo onde não se aplicou a estratégia de direcionamento
A média de perda peso no grupo em que o tratamento foi direcionado para o fenótipo foi de 15,9% do peso corporal, comparado a 9,0% para o grupo em que o tratamento padrão.
A perda de peso > 10% foi observada em 76% do grupo do tratamento direcionado para o fenótipo quando comparados a 34% do grupo do tratamento não guiado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que esse estudo acrescenta? Na prática, pouca coisa, pois já perguntamos de forma não sistemática como é o padrão alimentar do paciente e tentamos colocar uma ou mais medicações que caibam melhor no contexto, além das orientações de mudança de estilo de vida. Tem aqueles que “beliscam”, os que têm são “bons de prato” ou hiperfágicos, os que tem metabolismo lento, os que comem mais à noite etc. De certa forma, esses conceitos são alinhados aos fenótipos descritos por Acosta e colaboradores.
Para todos esses “fenótipos”, “padrões alimentares”, tem um termo técnico correspondente fora ou dentro dos transtornos alimentares da psiquiatria (tem um post sobre o tema). Boa parte deles eles presentes no consultório do endocrinologista quando o assunto é obesidade.
Na teoria esse estudo acrescenta bastante, pois é uma forma de demostrar cientificamente que cada padrão alimentar, cada organismo pode responder melhor a um determinado tipo de abordagem de mudança de estilo de vida, tipo de psicoterapia, medicações antiobesidade isoladas e suas combinação.
Como saber seu fenótipo? O endocrinologista pode ajudar a entender o seu e direcionar o tratamento.
Referência
Acosta e col (2021), Selection of Antiobesity Medications Based on Phenotypes Enhances Weight Loss: A Pragmatic Trial in an Obesity Clinic. Obesity, 29: 662-671. https://doi.org/10.1002/oby.23120
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