Obesidade, pronokal, vlcd

Força e massa muscular após dieta cetogênica

Um estudo publicado recentemente em uma revista americana JCEM sobre o método espanhol avaliou a dieta de muito baixa caloria cetogênica (método Pronokal)1 e seu impacto no músculo. A dieta cetogênica simula o jejum pela restrição de carboidrato e proteínas com aumento relativo de proteína. Foram as conclusões do estudo:

  1. Perda de peso significativa ao longo de todo estudo, explicada por perda de massa gorda e gordura visceral
  2. Perda inicial discreta de massa livre de gordura (massa magra) devido principalmente a diminuição de água corporal , seguida por uma recuperação subsequente
  3. Preservação da força muscular durante o tratamento
  4. Correlação com os dados mostrado pela bioimpedância multifrequência tetrapolar com os da densitometria para avaliação da composição corporal

 

pronokal
Exemplos de alimentos da dieta proteinada

Perguntas que o estudo quis responder:

  1. Quanto da perda de peso era devido à perda de gordura e de massa magra (ex – músculo, água, osso)
  2. Se os métodos para avaliação da composição corporal (densitometria, bioimpedância e pletismografia) são comparáveis.

Para isso foram estudados durante 4 meses vinte pacientes com obesidade e sem diabetes. O peso médio inicial foi de 95,9 kg. A composição corporal foi avaliada em 4 estágios:1. antes do início da dieta, 2. no período de máxima cetonemia, 3. No período de retorno da ingestão de carboidrato pela reintrodução da nutrição padrão e período de manutenção. O período de cetose durou de 60 a 90 dias.

Respostas à primeira pergunta:

  • Mesmo com pequena perda de massa magra, a força muscular foi preservada em qualquer fase do estudo e avaliada pelo preensão manual (hand grip);

    hand-grip
    Dinamômetro para avaliação da força muscular através da preensão manual
  • A perda de peso média final do estudo foi de 20 kg, sendo desses apenas um quilo um kg de músculo. A avaliação das quantidades de gordura corporal e massa livre de gordura (composição corporal) foram avaliadas pelo método considerado mais aceito (DXA), e mais acessível (bioimpedância);
  • No início do tratamento há um aumento da diurese: uma das explicações é que na quebra de glicogênio (molécula que estoca a glicose) há perda hídrica, pois a glicogênio é armazenado juntamente com a molécula de água. Outra potencial explicação é que a perda de corpos cetônicos na urina leva consigo sódio e água. A perda de água intra e extracelular foi semelhante.

Resposta à segunda pergunta:

  • Os resultados obtidos pela avaliação da composição corporal por densitometria e bioimpedância foram semelhantes. Vale registrar que a bioimpedância utilizada foi a multifrequência tetrapolar. A pletismografia não está disponível na prática clínica.

Vale lembrar que a redução de calorias associada à atividade física são fundamentais para o tratamento da obesidade.

Como conclusões, os autores afirmam que a perda de peso decorrente da dieta de muito baixa caloria cetogênica é principalmente às custas de perda de gordura e gordura visceral, com preservação de massa e força muscular. Para a avaliação da composição corporal, a bioimpedância parece ser mais conveniente na prática clínica.

Sobre a dieta cetogênica, leia também:

Referência

1                      GOMEZ-ARBELAEZ, D.  et al. Body composition changes after very low-calorie-ketogenic diet in obesity evaluated by three standardized methods. J Clin Endocrinol Metab, p. jc20162385, Oct 2016. ISSN 1945-7197. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27754807 >.

 

Gostou do conteúdo desse blog? Compartilhe com seus amigos!
  • 308
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
    308
    Shares